Preocupações com banca regional dos EUA atiram Ásia e Europa para o vermelho O final da semana chegou com um sabor amargo ao mercado acionista global. Depois de Wall Street ter encerrado a sessão de quinta-feira pintada de vermelho, as principais praças asiáticas terminaram a última negociação da semana com perdas avultadas – todas pressionadas por preocupações com a vitalidade do sistema bancário norte-americano, depois de dois bancos regionais terem admitido problemas na qualidade dos empréstimos que concederam. O pessimismo deve contagiar a Europa, com os futuros do Euro Stoxx 50 a caírem mais de 1,5%. “Este choque bancário nos EUA tem mais a ver com o sentimento do mercado e a liquidez do que com um colapso sistémico do crédito», começa por explicar Dilin Wu, estratega da Pepperstone Group, à Bloomberg. “É um bom exemplo da aversão global ao risco neste momento — os fundamentais estão bem, mas o medo está a dominar as mesas de negociação”, acrescenta. Com os investidores a procurarem refúgio nos ativos habituais, como o ouro e as obrigações, as principais praças mundiais ficaram pintadas de vermelho. O MSCI Asia Pacific, índice que engloba as principais empresas da região, caiu 0,9%, com as perdas a serem encabeçadas pela China, que viu o Hang Seng deslizar 1,8% e o Shanghai Composite ceder 1,3%. As preocupações em torno do sistema de crédito norte-americano aliaram-se às tensões comerciais entre Pequim e Washington para derrubar as praças chinesas. O setor tecnológico foi o mais afetado, ao afundar mais de 3%, pressionado ainda por um movimento de correção após os resultados da Taiwan Semiconductor Manufacturing terem dado um impulso à negociação da sessão anterior. Pelo Japão, tanto o abrangente Topix como o mais seleto Nikkei 225 registaram perdas superiores a 1%, numa altura em que os investidores avaliam o futuro da política monetária do país e a governabilidade do mesmo. Esta sexta-feira, o governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, indicou que o banco central vai continuar a “normalizar” a política monetária, caso a nação consiga alcançar alguns objetivos económicos – abrindo a porta a subidas nas taxas de juro no curto prazo. Entre as restantes praças asiáticas, o sul-coreano Kospi contrariou o pessimismo vivido nos mercados e acelerou para um novo máximo histórico, impulsionado pelos bons desenvolvimentos nas negociações comerciais com os EUA. Já o australiano S&P/ASX 200 acabou por cair 0,81%, interrompendo uma série de três sessões consecutivas no verde.

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