advertisemen tO Maláui Investment and Trade Centre (MITC) – centro de investimento e comércio nacional – revelou que o país está a desperdiçar até 70% do seu potencial de exportação em leguminosas e oleaginosas estratégicas na conversão de culturas em divisas, numa altura em que o défice comercial não está sob controlo. A torta de óleo de soja, um dos principais produtos localmente produzidos, tem um potencial estimado de exportação de 103 milhões de dólares. No entanto, o país consegue exportar apenas 33 milhões de dólares, o que representa somente 28% do potencial. Um desperdício de 72%, equivalente a 74 milhões de dólares. As leguminosas apresentam um cenário igualmente preocupante. De um potencial de 99 milhões de dólares, exporta-se apenas 49 milhões de dólares, o que significa que mais de metade do mercado — 51%, ou 50 milhões de dólares — permanece inexplorado. Mesmo a noz de macadâmia, aponta o MITC, frequentemente apresentada como um caso de sucesso, revela fragilidades. Embora a taxa de aproveitamento seja relativamente elevada, em torno de 72%, o país continua a não concretizar 28% do seu potencial de 22 milhões de dólares. Só a China poderia absorver mais 1,6 milhão de dólares em exportações de macadâmia, se o Maláui conseguisse garantir fornecimento consistente. Actores do sector afirmam que o problema não é a procura, mas sim a incoerência das políticas públicas. A presidente da Associação de Comerciantes de Cereais do país, Grace Mijiga Mhango, aponta directamente para a acção governamental como um dos principais entraves. “Por vezes, a soja tem elevada procura internacional, há contratos que são assinados e, de repente, é imposto um embargo às exportações. Tal destrói a credibilidade e a confiança”, afirmou. “O resultado é previsível: os compradores procuram outros mercados. Localmente não geramos receitas, e os agricultores continuam presos a ciclos de baixos rendimentos.” A nível regional, o presidente do Conselho Empresarial da COMESA (uma organização de integração económica regional), James Chimwaza, afirma que o Maláui continua limitado à exportação de produtos brutos quando exporta. “A falta de adição de valor ao primeiro nível está a paralisar-nos. Sem processamento, tecnologia e agregação, não conseguimos cumprir os padrões de volume e qualidade”, disse. O antigo director-geral do MITC e economista Paul Kwengwere concorda, apontando para constrangimentos crónicos de produção e capacidade. Maláui é um dos maiores produtores da macadâmia na região da África Austral “Recebemos encomendas, mas não conseguimos satisfazer a procura. As deficiências produtivas e a ausência de valor acrescentado mantêm as exportações reais muito abaixo do potencial”, afirmou. A incapacidade de explorar o potencial exportador está agora a ter um impacto severo nos fundamentos macro-económicos. Dados do Banco de Reserva nacional indicam que, nos 11 meses até Novembro, as exportações caíram 0,8%, passando de 882,8 milhões de dólares em 2024 para 875,4 milhões de dólares este ano. As importações, por sua vez, aumentaram 12,4%, subindo de 2,91 mil milhões de dólares para 3,27 mil milhões de dólares, e o resultado foi um agravamento do défice comercial em 20%, que passou de 2 mil milhões de dólares para 2,4 mil milhões de dólares em apenas um ano. Tudo isto ocorre apesar do lançamento da Estratégia Nacional de Exportação II, em 2021, que prometia competitividade exportadora, penetração nos mercados regionais e substituição de importações. Fonte: Malawi Nyasatimes
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