Foi há 20 anos que cinco produtores se juntaram para formar a Lusomorango que hoje figura como a maior organização de produtores do setor das frutas e legumes em Portugal em termos de volume de negócio. Depois de, em 2024, ter elevado a faturação em quase 28% para mais de 110 milhões de euros, a Lusomorango espera fechar 2025 com um aumento na ordem dos 10% para 120 milhões de euros apesar das barreiras ao crescimento da área produtiva por força dos constrangimentos na utilização de água no Perímetro de Rega do Mira, localizado na região de Odemira e Aljezur. “Não fossem as limitações que existem há um conjunto de anos na utilização de água no Perímetro de Rega do Mira, onde se concentra 90% dos nossos produtores, a Lusomorango poderia estar hoje noutro patamar do ponto de vista do volume de negócios e da quantidade de fruta que produz”, diz Joel Vasconcelos, diretor-geral da organização, que agrega 39 produtores, dedicada à produção e comercialização de pequenos frutos. “Mais produzíssemos, mais vendíamos”, diz, em entrevista ao Negócios. A Lusomorango nasceu vocacionada para o morango (que atualmente não produz, o que “não significa que não o venha a voltar a fazer”), mas hoje quem reina é a framboesa, que representa “mais de 60% da produção”, seguida da amora, com um peso superior a 30%, com o mirtilo a responder pelo restante. Com uma área de exploração de quase 700 hectares (dos quais mais de 90% em Odemira), a Lusomorango aumentou a produção de 14 mil toneladas em 2023 para 16 mil toneladas em 2024 e está segura de que vai rever os números em alta em 2025. “Temos vindo a crescer apesar das limitações que temos ao crescimento da área produtiva”, salienta. Neste contexto, Joel Vasconcelos aponta, por um lado, que “urge” pôr a estratégia nacional “Água que Une” no terreno, em particular “a modernização completa do Perímetro de Rega do Mira, evitando que 40% da água que sai da Barragem de Santa Clara se perca” e, por outro, “simplificar o processo burocrático com que se deparam os produtores que pretendem instalar pequenos reservatórios ou charcas nas suas explorações”, as quais lhes permitiriam, por exemplo, aproveitar a água das chuvas e, em síntese, usar mais área para produzir. Embora seja relevante que, nos últimos anos, tenha havido, ainda assim, “uma tendência de aumento de volume da fruta produzida, a mais importante é a de aumento de valor, o que, aliás, nos permitiu dar um salto muito grande no volume de negócios de 2023 para 2024. Valorizar em valor aquilo que produzimos é um caminho que nos interessa muito percorrer”, aponta. Para tal – elenca – tem concorrido sobretudo três fatores: “A qualidade do material genético das plantas, o clima e as condições de contexto do país, que permitem produzir todos os dias do ano e, por fim, como consequência dos dois primeiros, a valorização por parte dos mercados que colocam os produtos nas prateleiras dos supermercados como diferenciados”. Do novo mercado à aposta em “casa” A exportação representa cerca de 94%, com Espanha, centro e norte da Europa, e Médio Oriente, “um mercado que está a crescer substancialmente”, a imporem-se como os principais destinos da produção da Lusomorango, que responde por “um terço das exportações nacionais de pequenos frutos”, a fileira que mais cresceu no setor das frutas, legumes e flores que, em 2024, bateu o recorde de exportações. 94Exportação A exportação representa 94% no volume de negócios da Lusomorango. E há um novo mercado no horizonte: o Canadá. “Em conjunto com os nossos parceiros comerciais submetemos um pedido de abertura do mercado aos pequenos frutos portugueses junto da DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária). Pode ser muito vantajoso ao dar-nos oportunidade para poder aumentar o valor pago pela fruta que produzimos”. Escalar lá fora, apesar do peso na “cesta”, não é o grande objetivo. “Para nós, neste momento, é mais prioritário aumentar o peso da Lusomorango e das vendas no mercado nacional”, “porque entendemos que temos a responsabilidade de aumentar o consumo dos pequenos frutos junto dos portugueses”. Por um lado, “porque devem ter oportunidade de consumir produtos de excelência que são produzidos em Portugal e, por outro, estamos a falar de alimentos benéficos para uma dieta alimentar saudável – ricos em minerais e fibras e com características antioxidantes -, razão pela qual estamos a trabalhar com várias superfícies comerciais para estarem mais presentes na rede de distribuição nacional”, adianta, nas vésperas do Dia Mundial da Alimentação, que se assinala, hoje, 16 de outubro. Para nós, neste momento, é mais prioritário aumentar o peso da Lusomorango e das vendas no mercado nacional. Joel VasconcelosDiretor-geral da Lusomorango Um centro de investigação Já no campo, “os produtores da Lusomorango têm planos para investir mais de 30 milhões de euros na modernização das suas explorações agrícolas”, com a aposta na melhoria da eficiência hídrica, mas também energética e na promoção da biodiversidade. Em paralelo, pretendem “continuar a investir fortemente no seu Centro de Investigação para a Sustentabilidade, iniciativa em colaboração com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, a Driscoll’s e a Maravilha Farms, criado em 2023, para o tornar num centro de referência não só em Portugal, mas na Europa”.

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