O Indicador de Clima Económico (ICE) das empresas moçambicanas registou, no terceiro trimestre de 2025, um novo abrandamento, marcando o quinto trimestre consecutivo de queda, segundo dados divulgados esta quarta-feira (15) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). De acordo com os resultados citados pela Lusa, o ICE situou‑se nos 89,8 pontos, face aos 90,3 pontos do trimestre anterior — valor que aproxima o indicador do mínimo histórico de 81,5 pontos, registado no terceiro trimestre de 2020. A deterioração traduz-se na continuação da tendência negativa na confiança das empresas, alinhada com a redução da procura e a queda das expectativas de emprego. O documento do INE aponta que a avaliação negativa da confiança incidiu sobretudo no sector da produção industrial, suplantando as avaliações ligeiramente positivas observadas nos ramos do comércio e dos serviços não financeiros. A procura esperada, por seu turno, agravou a sua contracção pelo quarto trimestre consecutivo, mantendo-se abaixo da média histórica da série.advertisement Segundo o relatório, essa deterioração foi particularmente acentuada nos ramos de “Outros serviços não financeiros” e do “Comércio”, que registaram quedas mais expressivas face ao trimestre anterior. Em paralelo, o indicador de expectativas de emprego continuou em terreno negativo, atingindo o saldo mais baixo dos últimos 13 trimestres. Essa tendência negativa foi generalizada a todos os sectores inquiridos. O Governo de Moçambique reconhece que a situação económica é agravada pelos efeitos das manifestações pós-eleitorais — entre Outubro de 2024 e Março de 2025 —, que terão levado à destruição de 955 estabelecimentos e à perda de 50 000 postos de trabalho, segundo dados do Plano de Recuperação e Crescimento Económico (Prece). Este último documento atribui à instabilidade sociopolítica a “paralisação parcial da economia” e despedimentos em massa. O Prece recorda ainda que o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) espelhou uma trajectória descendente: de um crescimento robusto de 5,58 % no terceiro trimestre de 2024 para uma recessão de ‑5,68 % no trimestre seguinte, já com os impactos das manifestações. Os dois primeiros trimestres de 2025 apresentaram taxas de ‑3,92 % e ‑0,94 %, respectivamente, numa recuperação parcial de 4,74 pontos percentuais face ao trimestre mais fraco do ano anterior. O documento sublinha que, apesar dessa recuperação, a economia se encontra numa recessão técnica que exige resposta estratégica para evitar maior deterioração.advertisement
Painel