a d v e r t i s e m e n tA Zâmbia tornou-se o primeiro país africano a aceitar formalmente o yuan da China para o pagamento de impostos e royalties mineiros, uma medida que evidencia a crescente influência financeira de Pequim nos sectores mais estratégicos de recursos do continente.
O Banco Central da Zâmbia (BoZ) confirmou que os pagamentos em renminbi começaram em Outubro, marcando uma mudança significativa na forma como o segundo maior produtor de cobre de África gere as suas receitas mineiras.
A Bloomberg noticiou que os operadores mineiros chineses estão agora a liquidar parte das suas obrigações fiscais em yuan, reflectindo o papel crescente da China como maior comprador de cobre da Zâmbia e um dos seus maiores credores.
A instituição financeira afirmou ainda que a mudança está alinhada com a sua estratégia de gestão de reservas e com a realidade das exportações.
“Uma grande parte das exportações de cobre vai para a China e as empresas mineiras chinesas já recebem parte, senão todos, os pagamentos das suas exportações para a China em renminbi”, afirmou um representante do BoZ.
“O Banco da Zâmbia tem como objectivo principal a diversificação e o aumento das suas reservas, e a aquisição de renminbi permite ao banco concretizar este objectivo.”
A entidade acrescentou que deter yuan também torna mais barato o serviço da dívida chinesa, afirmando que permitirá à Zâmbia “servir as suas dívidas à China de forma mais económica.”
O dinheiro mineiro da China acompanha a mudança cambial em África
A decisão da Zâmbia surge num momento em que África se torna terreno de experiência para a longa campanha da China de internacionalização do yuan.
O Business Insider África noticiou em Outubro que o Quénia converteu parte da sua dívida chinesa em yuan, uma medida destinada a aliviar a pressão sobre as suas finanças endividadas.
O país espera poupar cerca de 250 milhões de dólares por ano após a reestruturação do seu empréstimo ferroviário de 5 mil milhões de dólares junto do Banco de Exportação e Importação da China para dívida denominada em yuan.
A Etiópia iniciou conversações para fazer o mesmo, e a própria Zâmbia afirmou que ponderaria seguir idêntica via.
Para apoiar a mudança, o BoZ começou no mês passado a publicar uma taxa oficial de câmbio renminbi-kwacha, permitindo às empresas mineiras escolher entre vender dólares ou yuan para pagar impostos.
O sistema baseia-se nas regras introduzidas em 2018 e expandidas em 2020, que obrigavam os mineiros a vender moeda estrangeira ao banco central para reforçar as reservas esgotadas do país durante a crise da dívida.
A mudança para pagamentos em yuan sinaliza que a influência da China na economia mineira africana está agora a ser acompanhada pelo crescimento da sua presença monetária.
Fonte: Business Insider África
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