O Governo estima em cerca de 900 milhões de meticais (14 milhões de dólares) o valor necessário para a reabilitação de cerca de duas mil escolas na província da Zambézia, afectadas por desastres naturais ou por longos anos sem qualquer tipo de intervenção estrutural, segundo a publicação do jornal notícias. A informação foi avançada pelo director provincial da Educação e Cultura da Zambézia, Joaquim Casal, que revelou a existência de um plano de requalificação urgente, abrangendo infra-estruturas degradadas em diversos distritos, com destaque para Quelimane, Nicoadala, Namacurra, Mocuba, Gúruè, Chinde e Luabo. Entre as instituições prioritárias encontra-se a Escola Secundária 25 de Setembro, considerada um marco histórico e académico da província. Segundo Joaquim Casal, a instituição de ensino deverá ser reabilitada ainda este ano, por forma a reestabelecer condições condignas de aprendizagem e dignidade para os alunos e professores, acrescentando que devido ao elevado nível de degradação, parte dos alunos foi já transferida para as instalações do Instituto Industrial e Comercial de Quelimane. “Existe uma grande preocupação do Conselho Executivo Provincial quanto à reabilitação desta escola, que é um símbolo de orgulho para a Zambézia. Contudo, a libertação dos fundos necessários tem sido apontada como o principal entrave para o arranque efectivo das obras, situação que se verifica também noutras infra-estruturas escolares da província”, descreveu. O responsável esclareceu ainda que a situação nas escolas secundárias é considerada crítica, pois muitas não possuem portas nem janelas, e as paredes apresentam sinais evidentes de desgaste, com as cores originais praticamente desaparecidas devido à exposição prolongada ao sol, à humidade e à chuva. “A falta de manutenção, a escassez de carteiras escolares e a sucessão de fenómenos naturais têm afectado gravemente a qualidade do ensino.” Esta necessidade surge num ano em que a quota orçamental atribuída ao sector da educação sofreu um corte considerável, tendo passado de 14,2% do Orçamento Geral do Estado em 2024 para 12,1% em 2025, conforme referido pela ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, em Maio último, durante uma sessão de perguntas e respostas ao Governo na Assembleia da República. Recentemente, a governante admitiu a possibilidade de ajustar o calendário escolar face aos impactos da época chuvosa 2025-26, uma vez que as autoridades prevêem chuvas acima do normal a partir de Outubro, com risco de inundações em várias províncias. “Todos sabemos que na época dos exames nos deparamos com a questão das chuvas. Esperamos, então, que em finais de Outubro, Novembro, possamos ter um período calmo, para os meninos poderem realizar os exames com maior segurança, mas, em todo o caso, vamos consultar o serviço meteorológico”, descreveu. Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa. A última época das chuvas, de Outubro a Abril, incluindo a passagem do ciclone Jude, afectou 1023 estradas na província de Nampula, danificando sete pontes e 23 aquedutos, de acordo com dados avançados pelo Governo.advertisement
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