O presidente do Chega disse esta quinta-feira que chegou a uma “plataforma de entendimento” com o primeiro-ministro quanto às iniciativas que vão a votos no parlamento na sexta-feira, que permitirá “subtrair impostos”, “restringir” a obtenção de nacionalidade e “regular a imigração”.


“O que posso expor agora, até esta hora, é que temos um princípio de entendimento em material de regulação da imigração, em material de restrição da obtenção de nacionalidade, que acho que vai ser para o país muito, muito positivo”, afirmou.


André Ventura falava aos jornalistas no final de uma reunião com Luís Montenegro na residência solene de São Bento, que durou pouco mais de meia hora.


“Foi uma reunião em que procurámos estabelecer o princípio de trabalho que é importante que o país sinta que o parlamento está a fazer, mas acho que o primeiro-ministro confirmará também que temos uma plataforma geral para subtrair impostos, para restringir a nacionalidade e para restringir a imigração”, afirmou.


O líder do Chega admitiu um voto em prol nas propostas em que haja entendimento, mas disse não ter “absoluta certeza de todos os pontos que serão aprovados ou serão rejeitados”, e avisou que haverá “absoluta reciprocidade”.


Ventura disse ter tido “a garantia” de que “ou serão votadas em prol as duas iniciativas, quer em material de fiscalidade, quer em material de imigração/nacionalidade, poderá sobrevir que algumas baixem à especialidade sem votação, e aí somente as duas, a do Governo e a do Chega, ou que sejam votadas favoravelmente as duas, com o compromisso de, na especialidade, ter um quadro limitador de propostas aprovadas”.


No que toca à descida do IRS, disse que “há sinceridade” dos dois partidos para “conciliar posições”, “provavelmente com entradas em vigor faseadas no tempo, uma primeira em setembro, já com efeitos retroativos a janeiro, e uma outra, a partir de janeiro, já instrumento do novo Orçamento do Estado”.


“Da nossa segmento, houve sinceridade para que haja mudança, porquê o Governo quer fazer em setembro, relativamente às taxas de retenção, com a retroatividade a janeiro, da segmento do Governo houve sinceridade para a descida das taxas nos escalões mais baixos”, explicou.


Ventura indicou que as lideranças parlamentares e as direções do Chega e do PSD “trabalharão durante a noite” para chegar “pela manhã a uma possibilidade de entendimento que não envolva mais nenhum partido necessariamente e que possa prometer a maioria no parlamento”.


“Para que amanhã [sexta-feira], à hora do debate, já haja um entendimento alargado sobre a epílogo do processo legislativo, quer em material de imigração e nacionalidade, quer em material de IRS”, acrescentou.


Quanto às alterações à lei da nacionalidade e às regras para a ingressão de imigrantes, o líder do Chega considerou que “há matérias em que provavelmente a maioria que suporta o Governo estará disposta a ceder”.


“Vamos cerzir estas propostas com a garantia, que eu dei também ao primeiro-ministro, se necessário escrito, o ideal é que não tenha que ser, mas se necessário escrito, de que estes aspetos serão compromisso dos dois partidos, que se descerem à especialidade, quer com voto em prol, quer com baixa, sem votação, serão trabalhados dentro do quadro que cá foi definido”, indicou.


André Ventura considerou ainda que o país entrou “numa outra tempo da vida política vernáculo” e defendeu que “as pessoas querem [dos partidos e do Governo] trabalho e firmeza”.


Segundo a Constituição, revestem a forma de lei orgânica os diplomas que regulam a “compra, perda e reaquisição da cidadania portuguesa”, pelo que qualquer mudança à lei da nacionalidade terá de ser, na votação final global, aprovada por maioria absoluta dos deputados em efetividade de funções, ou seja, 116 votos, o que exigirá o voto em prol ou da bancada do PS ou da do Chega (além das do PSD e CDS-PP, que totalizam 91 deputados).

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