A Comissão Europeia disse, na terça-feira, que a União Europeia (UE) tem “todos os instrumentos sobre a mesa”, mas prefere dialogar com os Estados Unidos após ameaças tarifárias a alguns países comunitários por oposição ao controlo norte-americano da Gronelândia.

“Todos os instrumentos estão sobre a mesa, por isso não estamos a excluir nenhuma possibilidade. Buscaremos um envolvimento construtivo, mas estamos prontos para reagir também com outros instrumentos, caso não consigamos encontrar uma solução construtiva com os Estados Unidos”, disse o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis.
Bazuca comercial: O que inclui?
Um dos instrumentos que a UE tem ao seu dispor é uma bazuca comercial – o instrumento anti-coerção da União Europeia – que foi criada em 2023, mas nunca foi utilizada. 
Este mecanismo funciona como instrumento de dissuasão e o objetivo é responder a qualquer país que utilize armas comerciais para pressionar algum dos 27 estados-membros da União Europeia. 
A ativação deste mecanismo anti-coerção requer a maioria qualificada dos países da União Europeia e permite, por exemplo, impor limites às importações de um país ou ao acesso a determinados mercados, com bloqueio de investimentos.

O instrumento anti-coerção da União Europeia, que o presidente francês Emmanuel Macron pedirá hoje se as ameaças de sobretaxas alfandegárias de Donald Trump forem executadas, foi adotado em junho de 2023, mas nunca foi utilizado.
Lusa | 16:42 – 18/01/2026

Segundo o texto publicado pelo Parlamento Europeu em 2023, ano em que o instrumento anti-coerção teve luz verde, esta ferramenta permite “combater as ameaças económicas e as restrições comerciais desleais de países terceiros”.
“Por vezes, os países recorrem a chantagens ou a restrições comerciais para dar às suas empresas uma vantagem injusta, o que acarreta conflitos comerciais com a União Europeia”, lê-se no documento que explica a importância deste instrumento.
Como último recurso, referiu ainda o Parlamento Europeu, este mecanismo poderá permitir que sejam lançadas “contramedidas contra um país não pertencente à UE, incluindo uma ampla gama de restrições relacionadas com o comércio, investimento e financiamento”.
O contexto
Donald Trump ameaçou no sábado vários países – Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia – com a imposição de novas tarifas alfandegárias até que “um acordo seja alcançado para a venda completa e integral da Groenlândia”.

O Governo português destacou hoje a “janela temporal” da União Europeia (UE) para dialogar com os Estados Unidos até 01 de fevereiro, antes de serem aplicadas tarifas de 10% pela oposição europeia à ocupação da Gronelândia por Washington.
Lusa | 12:14 – 20/01/2026

Esta sobretaxa de 10%, que recai sobre os países que enviaram soldados para a Gronelândia, entrará em vigor a partir de 1 de fevereiro e poderá subir para 25% em 1 de junho, disse Trump.
As ameaças comerciais norte-americanas “levantam a questão da validade do acordo” sobre tarifas alfandegárias concluído entre a União Europeia e os Estados Unidos em julho passado, observou fonte próxima do Presidente francês.
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