a d v e r t i s e m e n tA União Africana (UA) vai criar um mecanismo financeiro africano de 1,5 mil milhões de dólares, destinado a acelerar a execução de grandes projectos de infra-estruturas, anunciou nesta terça-feira (28), em Luanda, a directora-executiva da Agência de Desenvolvimento (AUDA-NEPAD) da organização, Nardos Bekele-Thomas.
Segundo noticiou a Lusa, Bekele-Thomas, que falava na 3.ª Cimeira para o Financiamento de Infra-estruturas em África, que decorre até sexta-feira (31) em Luanda, o novo instrumento, desenvolvido em parceria com a Aliança de Instituições Financeiras Multilaterais Africanas (AAMFI), terá uma dotação inicial de 1,5 mil milhões de dólares, dos quais 100 milhões serão aplicados na fase de preparação e estruturação de projectos.
O objectivo é financiar iniciativas de elevado impacto regional e transfronteiriço, consideradas prioritárias no quadro do Programa de Desenvolvimento de Infra-estruturas em África (PIDA).
“O propósito é claro: estruturar e fechar acordos em projectos de infra-estruturas de elevado impacto e dimensão continental. Além disso, à medida que concebemos o mecanismo de financiamento a longo prazo, temos de implementar a agenda dos 5% para todos os Estados-membros. O objectivo é simples: o capital africano deve servir, em primeiro lugar, a conectividade africana, a segurança energética africana e a capacidade produtiva africana”, afirmou Bekele-Thomas.
A responsável apelou a uma “mudança estrutural na forma como África governa, prepara e financia a sua conectividade” e sublinhou que “o continente já não pode tratar o financiamento como um mercado fragmentado de acordos dispersos.”
A directora da AUDA-NEPAD destacou que “o défice de infra-estruturas custa a África até dois pontos percentuais de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) por ano” e reduz a produtividade em cerca de 40%, afectando o comércio intra-africano, o acesso à electricidade e os custos logísticos.
“Metade do nosso continente continua sem electricidade e o comércio intra-africano está estagnado entre 15% e 18%. As nossas barreiras estruturais tornam demasiado caras as trocas comerciais entre nós”, lamentou.
Segundo Bekele-Thomas, o novo mecanismo de financiamento pretende corrigir um dos principais obstáculos identificados após a Cimeira de Dacar, em 2023 — a fragmentação financeira e a lentidão nos processos de execução. “Precisamos de transformar a vontade política em acção prática, e a nossa visão continental em investimentos concretos e mensuráveis”, salientou.
O objectivo é financiar iniciativas de elevado impacto regional e transfronteiriço, consideradas prioritárias no quadro do Programa de Desenvolvimento de Infra-estruturas em África (PIDA)
A dirigente da AUDA-NEPAD referiu ainda a necessidade de criar uma autoridade autónoma para acompanhar os projectos prioritários do PIDA, que assegure a continuidade dos projectos independentemente de mudanças políticas nacionais.
Entretanto, Bekele-Thomas sublinhou que o continente já obteve “ganhos tangíveis” desde a Cimeira de Dacar, com vários projectos regionais a avançarem, entre os quais o Corredor Abidjan-Lagos ou o Projecto Hidroeléctrico de Luapula.
Bekele-Thomas destacou também a Aliança para Infra-Estruturas Verdes em África (AGIA), criada com o Africa50 e o Banco Africano de Desenvolvimento, que já alcançou 118 milhões de dólares para apoiar projectos resilientes ao clima e acelerar a captação de financiamento bancário.
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