O Tribunal Judicial da cidade de Maputo concedeu liberdade provisória ao cidadão turco Emre Cinar, director da Willow International School, detido no passado dia 30 de Dezembro pelas autoridades, na sequência de um pedido de extradição apresentado pelo Governo da Turquia, tal como informou a Agência de Informação de Moçambique. A detenção foi levada a cabo pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), mas, segundo a defesa do arguido, não foi exibido qualquer mandado de captura formal, tendo as autoridades apresentado apenas uma imagem de uma mensagem telefónica como justificação para a medida. Após uma audiência de cerca de três horas, o tribunal decidiu restituir-lhe a liberdade, por não se verificar a existência de elementos suficientes que sustentem a legalidade da detenção ou a existência de qualquer acusação formal em Moçambique. Em declarações ao jornal Mediafax, publicadas na edição de terça-feira (6), os advogados de Emre Cinar garantem que o seu constituinte não foi acusado de qualquer crime e consideram que a detenção se insere num padrão de perseguição política por parte do Governo do Presidente Recep Tayyip Erdogan contra cidadãos considerados opositores ao regime turco. “Trata-se de perseguição política. É o que se verifica em diversos países onde são solicitadas extradições de indivíduos que não apoiam o actual Governo da Turquia”, afirmou Henriques Júnior, um dos advogados da defesa, lamentando, no entanto, o facto de Cinar ter sido privado do contacto com os seus advogados durante vários dias após a detenção. A defesa manifestou-se satisfeita com a decisão judicial e antevê o arquivamento do processo, por não existirem indícios de crime à luz da legislação moçambicana.
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