Em 2024, o Banco de Moçambique (BdM) deu razão a cerca de 85% das queixas apresentadas por clientes dos serviços financeiros, segundo um relatório oficial de inclusão financeira do regulador bancário. Ao longo do ano, foram recebidas 1809 reclamações em segunda instância, no Departamento de Supervisão de Conduta. Destas, 1213 (67%) foram concluídas ainda no próprio ano, e em 1025 casos o despacho final favoreceu os consumidores. Segundo informou a Lusa, as decisões favoráveis resultaram na devolução de aproximadamente 18 milhões de meticais aos reclamantes, valores que tinham sido indevidamente cobrados pelas instituições bancárias. Além disso, o regulador emitiu determinações específicas às entidades visadas para corrigir as irregularidades detectadas.advertisement O número de reclamações contra a banca mostrava uma tendência de crescimento: em 2024 registou‑se um acréscimo de 62% em relação a 2023. No sistema financeiro moçambicano operavam, até então, 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito. Entretanto, o desempenho económico da banca sofreu uma queda: os lucros agregados dos bancos moçambicanos recuaram 21,9 % em 2024, correspondendo a uma média diária de cerca de 900 mil dólares. No total, o resultado líquido dos bancos ficou em 24 mil milhões de meticais (351,34 milhões de dólares) e esta redução foi atribuída ao aumento dos custos operacionais (nomeadamente gastos com pessoal, que subiram 7,88%) e ao crescimento das perdas por imparidade, que aumentaram 44,6%. No resultado de 2024, 64,63% do total dos lucros (equivalentes a 16,82 mil milhões de meticais) ficaram concentrados em apenas três bancos domésticos classificados como sistémicos.
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