Tarifas sobre farmacêuticas atiram Ásia para o vermelho. Europa pressionada


As bolsas asiáticas negociaram com desvalorizações na última sessão da semana, pressionadas pelas novas tarifas dos EUA, que Donald Trump anunciou na noite passada. A Casa Branca vai aplicar uma taxa de 100% a todos os produtos farmacêuticos importados de empresas que não tenham uma fábrica nos Estados Unidos. Momentos antes, disse que queria impor tarifas de 25% a todos os camiões. As duas taxas começarão a ser cobradas já na próxima quarta-feira, 1 de outubro. 


“Esta ameaça renovada ao setor farmacêutico foi levantada várias vezes por Trump como uma ferramenta de negociação”, afirmou Anna Wu, estratega da VanEck Associates, em declarações à Bloomberg. “Antecipo que a taxa pese sobre o setor da saúde e o sentimento geral em relação às ações globais, incluindo os mercados asiáticos”, acrescentou. 


A Administração dos EUA estará ainda a planear reduzir a dependência do país em relação aos semicondutores fabricados no exterior, segundo avançou o The Wall Street Journal. Um índice que agrega as ações de tecnologia asiáticas caiu 2,5% com a notícia.


Os investidores também estão a reduzir as ações de semicondutores na Coreia do Sul, após os ganhos significativos neste mês, numa tomada de mais-valias. A Samsung Electronics caiu mais de 3% e a SK Hynix mais de 5%. A praça sul-coreana Kospi afunda 2,5%.


O Japão, a par com a Europa, deverá ser o mais afetado com as tarifas sobre as farmacêuticas. No ano passado, o gigante asiático exportou 2,5 mil milhões de dólares em produtos farmacêuticos para os EUA. Esta sexta-feira, o Topix está praticamente inalterado e o Nikkei 225 perde 0,71%, arrastado pelas quedas das farmacêuticas Otsuka Holdings (-3,3%), Daiichi Sankyo (-1,8%) e Sumitomo Pharma (-3,5%). 


Na China, tanto o Shangai Composite como o Hang Seng, em Hong Kong, recuam 0,5%. Em contraciclo, na Austrália, o S&P/ASX 200 sobe 0,17%. 


A Europa deverá também arrancar com perdas, com os futuros do Euro Stoxx 50 a cair 0,36%. Cerca de 60% das importações farmacêuticas dos EUA em 2024 vieram da União Europeia. A Suíça foi o segundo maior exportador ao representar 9%. Ao mesmo tempo, muitos fabricantes de medicamentos já anunciaram planos de investimento milionários nos EUA este ano, de forma a mitigar o impacto das tarifas sobre as importações. É o caso da Astrazeneca, Roche, Eli Lilly & Co, Johnson & Johnson, Novartis e a Sanofi.


O mercado estará hoje a reagir às novas tarifas, enquanto aguardam pelos dados da inflação nos EUA, com o indicador favorito da Reserva Federal a ser atualizado hoje: o índice PCE subjacente. Ontem, os dados sólidos do PIB da maior economia do mundo complicaram as perspectivas do mercado sobre novos cortes nas taxas de juro.

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