
O economista-chefe da Allianz Global Investors, Christian Schulz, aponta, numa análise, que “as tarifas impostas pelo Presidente Trump devido à Gronelândia podem levar a uma rápida escalada para um conflito comercial global, e os mercados financeiros serão um indicador crucial para determinar se o confronto se dissipará rapidamente ou se se transformará num choque económico desestabilizador”. Se a União Europeia (UE) retaliar, pode criar-se “um grande choque estagflacionário que poderá afetar o crescimento e a inflação simultaneamente e alterar os cálculos de política dos bancos centrais”, alerta. Para o analista, se os investidores “esperarem que a Europa ceda, os danos económicos podem ser limitados, enquanto uma reação negativa dos mercados pode aumentar rapidamente o custo da escalada para Washington e fortalecer as vozes no Congresso ou nos tribunais que procuram conter o Governo”. Os efeitos poderão ser sentidos de várias formas, sendo que “provavelmente afetaria muito os ativos de risco — particularmente as empresas manufatureiras europeias expostas aos EUA e as empresas de serviços americanas dependentes dos mercados europeus”. O euro poderia beneficiar se os investidores europeus repatriassem capital dos EUA, o que poderia prejudicar os títulos do Tesouro dos EUA e aumentar a pressão sobre a administração dos EUA. “No entanto, nem o dólar nem o euro provavelmente funcionariam como portos seguros confiáveis neste cenário, deixando os metais preciosos — e possivelmente o iene — como os principais beneficiários”, nota o analista. De facto, como salienta Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, os preços do ouro, um dos ativos de refúgio, subiram no início da negociação de hoje, “prolongando os ganhos da sessão anterior e atingindo um novo máximo histórico acima dos 4.700 dólares”. Com o agudizar das tensões entre os EUA e a Europa, na sequência das exigências de Washington relativamente à Gronelândia e da reação firme da Europa, “o apetite pelo risco deteriorou-se, penalizando os mercados acionistas globais, incluindo nos EUA, com os futuros do Nasdaq e do S&P 500 a registarem quedas”. “Em contrapartida, os ativos de refúgio estão a beneficiar de uma forte procura, sustentando os preços do ouro em níveis recorde”, afirma o analista, apontando que, “ao mesmo tempo, o dólar norte-americano está a enfraquecer, com o índice que mede o seu desempenho face às principais moedas a cair mais de meio ponto percentual”. Nas bolsas, “os principais índices acionistas dos Estados Unidos estão sob pressão significativa desde a abertura dos futuros no domingo”, de acordo com Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, sendo que “o S&P 500 está a desvalorizar cerca de 1%, numa reação às ameaças de imposição de tarifas adicionais por parte da administração norte-americana contra países europeus que se opõem aos planos de Washington para a região”. Já no que diz respeito ao crédito, Yesenn El-Radhi, vice-presidente do Grupo Soberano da Morningstar DBRS, salienta numa análise que “embora o aumento das tensões com os EUA sobre o estatuto da Gronelândia represente um grande desafio político para a Dinamarca, as implicações para o crédito seriam provavelmente limitadas, uma vez que o país possui uma margem orçamental substancial para suportar um potencial choque económico ou orçamental”. “O impacto do aumento das tensões transatlânticas nos Estados-Membros da UE como um todo é mais incerto e potencialmente mais abrangente, particularmente no que diz respeito ao comércio exterior e às necessidades de gastos com a defesa europeia”, admite o analista, apontando que o impacto nos países da UE com finanças mais frágeis poderá ser mais abrangente. Leia Também: Operação militar “é improvável”, mas ilha deve estar preparada
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