Tarifas estão de volta e arrastam Ásia e Europa para o vermelho


Os novos desenvolvimentos comerciais arrastaram as principais praças asiáticas para o vermelho pela sexta sessão consecutiva e preparam-se para fazer o mesmo à Europa. Confrontado com a sua própria data limite para uma série de tarifas “recíprocas”, Donald Trump decidiu procrastinar – mais uma vez – a data em que entram em vigor, apontando agora para a próxima semana, dia 7 de agosto. Mas o decreto traz mais novidades: a tarifa de 15% é apresentada porquê o novo mínimo para os países com os quais os Estados Unidos consideram ter um défice mercantil, enquanto os países com os quais Washington tem um excedente mercantil vão enfrentar uma taxa aduaneira de 10%. 


Ainda na mira de Trump esteve o Canadá e Taiwan. O Presidente norte-americano endureceu a narrativa em torno do Canadá, aumentando as tarifas de 25% para 35% – justificando que o país não cooperou em travar o fluxo contínuo de fentanil e outras drogas e retaliou contra os EUA -, enquanto para a região asiática ficou reservada uma taxa aduaneira de 20% (apesar de temporária). 


“Levante proclamação traz perspicuidade no papel, mas incerteza na prática”, começa por explicar Charu Chanana, estratega-chefe de investimentos da Saxo Markets, à Bloomberg. “Embora os mercados conheçam agora os números, a falta de uma estrutura clara por detrás destas tarifas — com taxas aparentemente arbitrárias — unicamente reforça a sensação de imprevisibilidade política. Isso torna as coisas ainda mais difíceis para as empresas e para os investidores, que perdem alguma margem de manobra”, conclui. 


Num contexto mais desconforme a nível tarifário, as praças asiáticas pintaram-se de vermelho, com a Coreia do Sul a liderar as perdas. O Kospi afundou 3,5%, a pior sessão desde abril, numa fundura em que o governo do país prepara-se para aumentar os impostos às empresas e os investidores aproveitam o momento para procederem à retirada de mais-valias. 


Pela China, o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,8% e o Shanghai Composite cedeu 0,4%. Já no Japão, o abrangente Topix até conseguiu terminar à tona, com ganhos de 0,25%, mas o seleto Nikkei 225 foi arrastado para o vermelho e encerrou a desvalorizar 0,6%. Numa semana particularmente difícil para a Ásia, o MSCI AC Asia Pacific (índice que agrega uma série de cotadas da região) registou um saldo negativo de 2,2% – o pior desempenho desde que as tarifas de Trump lançaram choques pelos mercados em abril.

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