A empresa sul-africana Kawena Distributors, que opera no País há 37 anos, anunciou que encerrará as suas operações em Moçambique a partir desta quarta-feira, 1 de Outubro, devido aos efeitos “devastadores” causados pelas manifestações pós-eleitorais e ao facto de o Governo não ter pago os reembolsos prometidos do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) durante vários anos. Num comunicado dirigido aos colaboradores e ao público, a entidade afirma que, “apesar de todos os nossos esforços, não conseguimos garantir o investimento necessário para recapitalizar a empresa. Há vários anos que não há reembolsos do IVA, o que é um factor que contribui para a falta de liquidez necessária para manter as operações em Moçambique.” A empresa de transporte e logística, cujos serviços são utilizados principalmente por mineiros moçambicanos que trabalham na África do Sul, também apontou as perdas financeiras devastadoras causadas pelas manifestações que afectaram o País após as eleições gerais de Outubro de 2024 como uma das razões para encerrar as suas operações.advertisement “Nos últimos oito meses, a administração trabalhou incansavelmente para salvaguardar o futuro da empresa e manteve contactos a vários níveis, incluindo com o chefe do Estado, mas não conseguiu a recapitalização. A actual incerteza na economia moçambicana, agravada por uma das piores crises de liquidez da sua história, impossibilitou a obtenção de financiamento externo”, lê-se no comunicado da Kawena divulgado pela Agência de Informação de Moçambique. Contudo, a instituição assegurou que todos os processos pendentes serão cautelosamente observados, com vista a assegurar os direitos que assistem todos envolvidos. “Manifestamos orgulho pelos anos de serviço à comunidade mineira moçambicana e reiteramos que o fim das actividades não era o resultado desejado, mas pela imposição das condições adversas seguirá com o encerramento.” “Reconhecemos as dificuldades que esta notícia traz aos nossos funcionários, mineiros e suas famílias. Tenham a certeza de que os administradores continuarão a supervisionar um processo de encerramento ordenado, garantindo que todas as questões pendentes sejam tratadas de forma justa e transparente, de acordo com a legislação sul-africana.” O Governo avançou nesta terça-feira, 30 de Setembro, que estima que os episódios de violência que se seguiram às eleições gerais de 2024 tenham resultado na destruição de 955 estabelecimentos e no desemprego de cerca de 50 mil pessoas, criando um risco sério de recessão económica, informou a Lusa. Moçambique viveu quase cinco meses de agitação social, com manifestações, greves e barricadas em várias cidades, sobretudo em Maputo, em contestação aos resultados eleitorais de 2024. As manifestações foram convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que continua a não reconhecer a vitória eleitoral. Os protestos degeneraram em confrontos com a polícia, resultando em cerca de 400 mortos, de acordo com dados da plataforma de monitoria Decide. As consequências económicas foram igualmente severas: a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) estimou, em Fevereiro, perdas de 32,2 mil milhões de meticais (480 milhões de dólares), incluindo destruição e saque de infra-estruturas públicas e privadas. A 23 de Março deste ano, o Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se pela primeira vez com Venâncio Mondlane, encontro no qual ambos assumiram o compromisso de pôr fim à violência.advertisement
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