a d v e r t i s e m e n tEntre Janeiro e Outubro de 2025, as startups tecnológicas do continente angariaram 2,7 mil milhões de dólares, um aumento de 56% em relação ao mesmo período de 2024. O montante representa uma das maiores recuperações do ecossistema tecnológico desde os picos de financiamento registados em 2021 e 2022.

Os 2,7 mil milhões de dólares superam de forma expressiva os cerca de 1,7 mil milhões obtidos nos dez primeiros meses de 2024, revelando um regresso da confiança dos investidores no potencial africano. O desempenho é considerado um dos mais robustos dos últimos anos, reforçando a relevância das startups como motor de inovação e crescimento económico no continente.

Embora as empresas de tecnologia financeira continuem a liderar o movimento, o crescimento tem-se alargado a outros sectores. Relatórios recentes apontam um aumento significativo de investimentos em mobilidade, logística, conectividade, tecnologia de saúde e tecnologia climática, evidenciando uma diversificação do capital.

Esta tendência demonstra que os investidores começam a olhar para África para além da fronteira dos pagamentos. O foco desloca-se agora para infra-estruturas essenciais, sistemas integrados e modelos de inovação independentes do sector, o que reforça a maturidade do ecossistema tecnológico africano.

O aumento do financiamento foi acompanhado por mudanças estruturais. O número de startups que conseguiram captar pelo menos um milhão de dólares subiu para 179 nos primeiros dez meses de 2025, face às 159 no mesmo período de 2024, confirmando um movimento de expansão mais amplo e consistente no continente.

Em termos regionais, a África Oriental continua a destacar-se acima do seu peso económico, mantendo uma forte dinâmica de crescimento. Já a África Ocidental – com destaque para Nigéria e Gana – conserva a liderança em número de operações, enquanto a África Austral começa a evidenciar aceleração, sobretudo nas áreas de tecnologia climática e software empresarial.

Apesar dos bons resultados, persistem desafios ligados à sustentabilidade. Segundo uma análise recente, os investidores estão mais exigentes e aplicam critérios de diligência rigorosos, priorizando indicadores claros de rentabilidade e planos de saída bem definidos. As startups precisam agora de demonstrar capacidade de expansão e de monetização regional para consolidar esta fase de crescimento.

Esta recuperação reflecte uma mudança estrutural no desenvolvimento africano, assente na transformação digital e na superação de lacunas infra-estruturais. O aumento do financiamento revela que o capital global volta a confiar no potencial do continente. Para os fundadores e investidores, a mensagem é inequívoca: África entrou na fase de execução, e o capital está novamente atento às suas oportunidades.

Fonte: Further Africa

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