A startup Agriview com base no seu core business inovador, ganhou, recentemente, em Dacar, Senegal, o Prémio “One to Watch do Africa Prize”, ao comprovar a possibilidade de se usar a casca de milho e os seus derivados para a produção de loiça descartável e demais utensílios. Trata-se de um projecto consideravelmente revolucionário, alinhado com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, uma vez que combate o uso do plástico nocivo para o ambiente. A casca de milho não beneficia de nenhum tipo de reaproveitamento e a loiça descartável usada actualmente é produzida à base de plástico e outros materiais não biodegradáveis, com implicações severas sobre o ecossistema. Uma vez que o protótipo do projecto foi elaborado manualmente pelos seus criadores, os responsáveis ​​da Agriview referem que o fundo ganho deverá servir, principalmente, para adquirir máquinas industriais que irão ajudar na moldagem eficiente da casca do milho, produzindo assim materiais duráveis ​​e capazes de responder eficazmente ao seu propósito de produção.advertisement De acordo com Joaquim Rebelo, co-fundador da Agriview, outro grande êxito do projecto, sendo este um dos principais diferenciais da iniciativa, assenta no facto de, no processo de produção, serem incluídas sementes diversas. Desta feita, uma vez descartada a loiça, o processo orgânico de decomposição natural permite que tais sementes germinem e dêem origem a novas plantas naquela área eleita para o descarte. “O prémio atribuído valida o propósito de transformar um mau hábito num gesto positivo para o ambiente, onde cada prato biodegradável dá origem a uma árvore e contribui para remover até 25 kg de dióxido de carbono da atmosfera, por ano. Mais do que um troféu, este prémio reforçou em nós a importância da persistência, da experimentação e da aprendizagem através das falhas, que foram essenciais para a melhoria contínua e evolução do nosso produto”, esclareceu Rebelo. Já Rui Bauhofer, também co-fundador da startup, acrescentou que o produto permite ainda que o agricultor consiga recuperar entre 10% e 20% do valor perdido na colheita, com base no reaproveitamento que é posteriormente feito pela Agriview. “Este prémio traduz-se num atestado internacional do trabalho que fomos desenvolvendo ao longo dos últimos três anos, validando assim o potencial e a genialidade das inovações nacionais. Estamos a colocar Moçambique no mapa da inovação para a Resiliência Climática em África e no mundo, ao mesmo tempo que contribuímos para a criação de emprego directo e indirecto, sobretudo nas zonas rurais”, destacou Bauhoufer. Numa primeira fase, a partir da casca do milho, a Agriview prevê produzir e fornecer para diversas entidades, algumas já identificadas, consideráveis ​​quantidades de pratos, favos de ovo, “take-aways” (recipientes descartáveis), tigelas, copos e tabuleiros. O prémio atribuído pela Royal Academy of Engineering de Londres resultou de uma acirrada disputa envolvendo inovações de 30 países africanos, incluindo Gana, Nigéria, Quénia, Uganda, Tanzânia e Togo.

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