A circulação ferroviária na linha de Sena, que atravessa a província de Sofala, foi retomada esta terça-feira (11), após uma paralisação de quase dez dias provocada por um acto de sabotagem à infra-estrutura, cuja autoria está a ser investigada pelas autoridades. De acordo com a Lusa, o descarrilamento registado a 2 de Novembro afectou seriamente o transporte ferroviário na região centro do País, tendo forçado a suspensão imediata do serviço de passageiros, por razões de segurança. A retoma parcial do transporte de carga ocorreu nos dias subsequentes, mas só hoje foi reposto o tráfego normal de passageiros. Adélio Dias, porta-voz da empresa Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), confirmou a reabertura total da linha, sublinhando que a decisão resultou de articulações com as autoridades competentes, visando garantir a segurança da circulação. O acto de sabotagem consistiu no corte deliberado da linha férrea e na remoção dos pandrois (peças fundamentais para a fixação dos carris às travessas), o que provocou o descarrilamento de duas locomotivas e de vários vagões. As investigações em curso, conduzidas pela Polícia da República de Moçambique (PRM), indicam que os suspeitos poderão estar entre antigos trabalhadores envolvidos na construção da linha férrea, alegadamente descontentes com o patronato. A comandante provincial da PRM em Sofala, Beatriz Tichala, referiu que está a ser feita uma triagem rigorosa para a responsabilização dos autores. O sistema ferroviário moçambicano está organizado em três corredores regionais – sul, centro e norte – que, embora não estejam interligados entre si, estabelecem ligações com países vizinhos como a África do Sul, Essuatíni e Zimbabué. A linha de Sena é uma das mais estratégicas da região centro, ligando o porto da Beira às zonas mineiras e agrícolas do interior. A vandalização de infra-estruturas ferroviárias tem-se revelado um desafio crescente. A rede sul dos CFM registou, só este ano, prejuízos superiores a dois milhões de dólares (127 milhões de meticais) devido a actos de sabotagem e roubo de equipamentos. Segundo Arnaldo Manjate, director de operações ferroviárias dos CFM-Sul, foram vandalizados dispositivos de mudança de via e arremessadas pedras contra locomotivas, causando danos adicionais estimados em cinco milhões de meticais (78 mil dólares). Em 2024, os CFM transportaram mais de 6,8 milhões de passageiros nas regiões centro e sul, superando em quase 500 mil o número inicialmente previsto, o que representa um crescimento de 3% em relação ao ano anterior. Com o objectivo de reforçar a segurança e a capacidade do transporte ferroviário, o Governo anunciou, em Abril deste ano, um investimento previsto de cerca de 12,4 mil milhões de meticais (203 milhões de dólares) até 2030. O plano inclui a duplicação de linhas, aquisição de carruagens e locomotivas, e a melhoria geral da rede, com prioridade para a linha de Ressano Garcia, em Maputo, que liga Moçambique à África do Sul.advertisement
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