O macróbio primeiro-ministro José Sócrates negou esta terça-feira, durante a segunda sessão do julgamento do processo Operação Marquês, qualquer relação de proximidade com o ex-presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Salso.


Já durante a sessão da tarde, e depois de ter falado sobre a OPA da Sonae à PT durante a manhã, José Sócrates quis sublinhar, mais uma vez, que Ricardo Salso não manipulou nem interferiu nas decisões do portanto governo socialista.


“É uma ofensa e eu tenho de a desmentir. Eu não conhecia o dr. Ricardo Salso antes de ir para o Governo. Ele não indicou ninguém para o meu Governo. Isso é patranha, é falso”, referiu José Sócrates perante o coletivo presidido pela juíza Susana Seca, acrescentando o que já tinha dito na primeira sessão sobre ter sido o também ex-primeiro-ministro António Costa a apresentar o macróbio ministro Manuel Pinho e não Ricardo Salso.


José Sócrates fez ainda referência às conversas telefónicas que teve com Ricardo Salso, tendo as mesmas sido reproduzidas pelo tribunal. Foram ouvidas cinco chamadas feitas entre Sócrates e Salso, em 2013 e 2014.


Sobre estas chamadas, o macróbio primeiro-ministro entendeu que as mesmas mostram que não existia proximidade, ainda que tenha sido ouvido durante as escutas vários convites para jantar e almoçar, cumprimentos à família, nomeadamente endereçados à mulher de Salso, tratamentos entre ambos por “dispendioso colega” e Ricardo Salso a tratar Sócrates por “Zé”.


“É das mais extraordinárias fabricações do processo, a história de uma alegada proximidade e é absolutamente espantosa que uma patranha dessas tenha feito caminho durante tantos anos”, acrescentou José Sócrates.


A sessão de hoje está também a permanecer marcada pela tensão entre José Sócrates e a juíza Susana Seca, tendo esta avisado várias vezes o ex-primeiro-ministro para moderar o tom de voz. “Temos todos o mesmo nível de perceptibilidade, não tem de sugerir que eu tenho défice cognitivo. O senhor não vai continuar nesse tom e também não utiliza expressões irónicas”, advertiu a juíza.


Os desentendimentos estenderam-se também aos procuradores do Ministério Público, tendo o procurador Rui Real sublinhado que não é o arguido que “dita as regras”, depois de Sócrates ter negado a sugestão do magistrado para que as escutas fossem reproduzidas. “Se o senhor procurador quer falar, pede autorização à juíza”, respondeu Sócrates, irritado por ter sido interrompido pelo procurador.


Onze anos posteriormente a detenção de José Sócrates no aeroporto de Lisboa, arrancou na passada quinta-feira o julgamento da Operação Marquês, que leva a tribunal o ex-primeiro-ministro e mais 20 arguidos e conta com mais de 650 testemunhas.


Estão em razão 117 crimes, incluindo devassidão, branqueamento de capitais e fraude fiscal, pelos quais serão julgados os 21 arguidos neste processo. Para já, estão marcadas 53 sessões que se estendem até ao final deste ano, devendo no porvir ser feita a marcação das seguintes e, durante levante julgamento serão ouvidas 225 testemunhas chamadas pelo Ministério Público e tapume de 20 chamadas pela resguardo de cada um dos 21 arguidos.

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