A sustentabilidade está a pressionar o tecido empresarial europeu em várias frentes, mas Portugal continua retardado. Somente 58% das empresas nacionais têm uma estratégia ESG formal, um valor consideravelmente inferior de países uma vez que Espanha ou Itália, onde mais de 80% já estão a trabalhar o tema e a preparar resposta à regulação. Os dados são do Barómetro Internacional ESG 2025, da consultora Ayming.
Apesar de ainda não se saber, ao manifesto, o que mudará nas obrigações de reporte exigidas pela Percentagem Europeia, a urgência existe e as empresas que não iniciem leste trabalho arriscam-se a permanecer para trás. E mesmo quem não é diretamente abrangido sentirá o impacto, aponta-se. “A CSRD afeta indiretamente os fornecedores mais pequenos, que não querem percorrer o risco de serem eliminados da masmorra de valor”, alerta o relatório.
Segundo os dados, três em cada quatro empresas europeias dizem já ter registado impactos positivos com estratégias ESG. Em Itália, por exemplo, 48% das organizações reportam aumento da satisfação dos clientes e 44% falam em melhorias na reputação da marca. Em Portugal, as empresas que não atuarem arriscam “perder competitividade, ou mesmo ser excluídas do mercado”, uma vez que adverte Krzysztof Oklot, da Schneider Electric, citado pelo estudo.
O principal tropeço é o financiamento: dois terços das empresas europeias apontam limitações orçamentais para as suas iniciativas ligadas à sustentabilidade, enquanto 22% dizem mesmo não ter meios para executar as estratégias. Em França, o valor sobe para 79%. O autofinanciamento ainda é o protótipo dominante (41%), registando-se uma baixa utilização de incentivos públicos, uma tendência também visível em Portugal, onde unicamente 29% das empresas recorrem a eventos e conferências ESG para encontrar financiamento, muito inferior da média europeia.
A fragmentação dos dados, a complicação dos temas ESG e a falta de recursos humanos especializados são barreiras adicionais neste caminho rumo à sustentabilidade corporativa.
Mas nem tudo são más notícias e há sinais de progresso que vale a pena sublinhar. Entre eles, o estudo revela que 80% das empresas já incluem o impacto ambiental e social nas suas decisões de investimento, e quase metade (48%) têm equipas dedicadas aos temas ESG, ainda que muitas recorram a consultores externos.
“O ESG já não é opcional”, conclui o relatório. E, uma vez que alerta a diretora-geral da Ayming, Magdalena Burzynska, “as empresas que atuarem de forma decisiva e estratégica não só ultrapassarão os desafios uma vez que estabelecerão o padrão de responsabilidade e resiliência para as próximas décadas”.
Recorde-se que em Bruxelas continua a discussão sobre a simplificação das obrigações de reporte de sustentabilidade corporativa, depois de a Percentagem Europeia ter anunciado, em fevereiro, a intenção de flexibilizar a medida para pacificar a fardo burocrática às pequenas e médias empresas. No mês pretérito, um eurodeputado apresentou uma novidade proposta para diminuir ainda mais as obrigações das empresas europeias para que a Europa mantenha a competitividade.
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