
“Sell-off” nas tecnológicas atira Ásia para o vermelho. China escapa com Alibaba a disparar 19%
As principais praças asiáticas encerraram a primeira sessão da semana maioritariamente no vermelho, com a China a escapar a uma maré vermelha no setor tecnológico após um salto nas ações da Alibaba. As fabricantes de semicondutores também estiveram em destaque esta segunda-feira, depois de os EUA terem decido revogar licenças para a exportação de material crítico para a produção de “chips” em território chinês – um movimento que veio adensar as preocupações no setor, depois de as previsões da Nvidia para o terceiro trimestre terem deixado de lado vendas à segunda maior economia do mundo.
As sul-coreanas Samsung e SK Hynix acabaram por ser as mais afetadas pela nova decisão da administração Trump. As ações das duas tecnológicas caíram 2,94% e 4,74%, respetivamente, uma vez que ambas estavam dependentes destas licenças para produzir “chips” em território chinês e, depois, exportá-los para os EUA. Embora tanto a Samsung como a SK Hynix tenham fábricas de produção de semicondutores na Coreia do Sul, a China continua a representar a grande fatia da produção global destas duas empresas.
O “sell-off” acabou por deixar a praça sul-coreana e a japonesa no vermelho. Tanto o Kospi como o Nikkei 225 registaram perdas de 1,43% esta segunda-feira, pressionados pelo setor tecnológico. Um movimento que já se tinha registado nos EUA na semana passada, quando o “guidance” abaixo das expectativas da Marvell Technology, aliado às preocupações em torno da Nvidia, levou o Nasdaq Composite a registar perdas superiores a 1%.
Pela China, a sessão foi de ganhos – muito graças ao bom desempenho da Alibaba. A campeã do comércio eletrónico chinês registou um aumento de três dígitos nas vendas de produtos relacionados com a inteligência artificial (IA), bem como acelerou as receitas acima do previsto na sua divisão de “cloud”. Resultados trimestrais que deram ímpeto às ações da retalhista, que dispararam 19,10% para 137,80 dólares de Hong Kong, e fizeram com que o Hang Seng, de Hong Kong, acelerasse 1,8%.
“Enquanto a tecnologia global continua preocupada com a geopolítica e as avaliações, partes da tecnologia chinesa estão silenciosamente a acelerar novamente – impulsionadas não pela euforia, mas pelo crescimento real nas receitas em IA e nas vendas dos departamentos de ‘cloud’», explicou Charu Chanana, estratega-chefe de investimentos da Saxo Markets, à Bloomberg. A analista considera que “uma reavaliação silenciosa da tecnologia asiática está em andamento”, com o dinamismo do setor chinês a aproximar-se do norte-americano.
Pela Europa, avizinha-se uma sessão de ligeiros avanços, com a negociação de futuros do Euro Stoxx 50 a crescer 0,1%. Na sexta-feira, as principais praças do Velho Continente encerraram no vermelho, com a banca a registar o pior desempenho entre os vários setores que compõem o Stoxx 600 – “benchmark” para a negociação europeia.
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