Os seguros foram apontados como um dos pilares centrais para a mitigação de riscos e estímulo às exportações nacionais, num painel realizado no âmbito da 60.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM). O debate, subordinado ao tema “Serviços de Seguros e Mitigação de Riscos nas Operações de Exportação”, reuniu representantes do sector segurador e do empresariado, que defenderam uma maior aposta neste instrumento como alavanca para a competitividade do País no mercado internacional. Na intervenção inicial, Titos Gemo, director de Produção da Empresa Moçambicana de Seguros (Emose), explicou que o seguro é um mecanismo crucial para proteger empresas contra perdas inesperadas, assegurando continuidade e confiança no processo de exportação. “Não existe comércio internacional sustentável sem mecanismos de protecção adequados. O seguro é fundamental para salvaguardar os investimentos e garantir que imprevistos, como acidentes, fenómenos climáticos ou variações de mercado, não inviabilizem o esforço produtivo”, afirmou. O responsável destacou que a Emose tem desenvolvido produtos específicos para sectores estratégicos da economia, como a agricultura, a pecuária, as pescas e o transporte de mercadorias. “Estes sectores representam a espinha dorsal da economia nacional e estão expostos a riscos múltiplos, desde secas e cheias até acidentes no transporte. Ao contratar seguros, os produtores e exportadores reduzem vulnerabilidades e aumentam a confiança junto dos mercados e dos financiadores”, acrescentou. O responsável sublinhou ainda que o seguro desempenha um papel essencial na mobilização de capital. “Nenhum financiador se dispõe a injectar recursos numa empresa sem garantias. O seguro funciona como essa garantia, assegurando ao investidor que o seu capital não será perdido em caso de adversidade”, declarou. No mesmo painel, Miguel Joia, moderador do debate, reforçou a importância de expandir a cultura de seguro no País, sobretudo entre Pequenos e Médios Empresários (PME). “Há ainda a ideia de que o seguro é um custo adicional, mas na verdade ele deve ser visto como um investimento estratégico. A ausência de cobertura pode significar a falência de uma empresa em caso de sinistro. O seguro é parte integrante de uma estratégia nacional de desenvolvimento económico”, afirmou. Não existe comércio internacional sustentável sem mecanismos de protecção adequados. O seguro é fundamental para salvaguardar os investimentos e garantir que imprevistos, como acidentes, fenómenos climáticos ou variações de mercado, não inviabilizem o esforço produtivo Os intervenientes apontaram também a necessidade de incluir os seguros no debate sobre a diversificação da economia. Numa altura em que Moçambique procura reforçar a sua presença nas cadeias regionais e internacionais de valor, a falta de cobertura adequada limita a capacidade de competir em igualdade de condições com outros países. Outro aspecto sublinhado foi a urgência em adaptar os seguros às novas realidades de risco, incluindo as mudanças climáticas, que têm provocado perdas significativas em sectores como a agricultura. “O seguro climático e paramétrico pode ser um instrumento inovador para reduzir os impactos dos eventos extremos, oferecendo compensações rápidas aos produtores e exportadores”, destacou Titos Gemo. A sessão terminou com um apelo à cooperação mais estreita entre seguradoras, Governo e sector privado, de modo a criar soluções inclusivas que respondam à realidade das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), frequentemente mais expostas e com menor capacidade de absorver choques. Com a 60.ª FACIM a funcionar como espaço privilegiado para negócios e troca de experiências, o painel sobre seguros demonstrou que a competitividade do País no comércio internacional não depende apenas da produção, mas também da capacidade de gerir riscos de forma profissional e eficiente. Texto: Nário Sixpene
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