advertisemen tO governador do Banco de Reserva da África do Sul (SARB), Lesetja Kganyago, afirmou que o Governo está interessado em utilizar novas linhas de recompra (repo) do Banco Central Europeu (BCE), caso estejam disponíveis, destacando que o ciclo de cortes das taxas de juro ainda tem algum caminho a percorrer. Segundo noticiou a Reuters, a presidente do BCE, Christine Lagarde disse, na semana passada, que o banco planeia tornar as suas linhas de liquidez em regime de recompra mais baratas e de acesso mais fácil, numa tentativa de reforçar o papel internacional do euro. Estas linhas permitem que bancos centrais estrangeiros obtenham empréstimos em euros contra garantias denominadas na moeda única e destinam-se a ser utilizadas em períodos de crise. Lesetja Kganyago salientou que o seu país beneficiaria das mesmas, tendo em conta o elevado volume de comércio e investimento provenientes da Europa. “Na medida em que exista uma linha de recompra com o BCE, isso ajudaria a sustentar esse comércio”, declarou Kganyago, numa entrevista à margem da Cimeira de Economia de Warwick, que decorreu de 6 a 8 de Fevereiro em Coventry, Inglaterra, acrescentando que “seria um desenvolvimento bem-vindo.” Banco central atento ao abrandamento da inflação Relativamente às taxas de juro internas da África do Sul, o governador afirmou que a decisão do mês passado de as manter em 6,75% significa que estas ainda estão “distantes da taxa terminal”. Os decisores políticos querem ver a inflação desacelerar ainda mais antes de voltarem a mexer nas taxas, mas a actual projecção aponta para mais dois cortes de 25 pontos base este ano, além de outro no próximo ano. “Esta previsão do trajecto das taxas não é um compromisso de política, é uma orientação que muda de reunião para reunião”, salientou o Kganyago. Um dos factores que ajudou a reduzir a inflação ao longo do último ano foi a forte valorização do rand. Esse movimento começou a perder força apenas nas últimas semanas, num contexto de mercados globais nervosos, incluindo o do ouro, do qual a África do Sul é um grande produtor. No entanto, Kganyago vê poucos motivos de preocupação, encarando a valorização mais ampla como um reconhecimento das melhorias nas políticas económicas. “O que também é importante notar é que a volatilidade da moeda diminuiu. O rand costumava ser uma moeda muito volátil”, destacou. Construção do BRICS Kganyago, no seu terceiro mandato como governador, falou também da “instrumentalização” do sistema financeiro internacional. Na ocasião, o responsável sublinhou que as economias emergentes não estão envolvidas em qualquer tentativa deliberada de destronar o dólar norte-americano, mas procuram proteger-se do tipo de tratamento que a Rússia sofreu ao ser excluída de infra-estruturas financeiras críticas, como o sistema de mensagens SWIFT – uma rede global segura usada por mais de 11 mil instituições financeiras em 200 países para transmitir instruções de pagamento e mensagens padronizadas. O acesso aos canais do dólar é claramente “um privilégio, não um direito”, disse Kganyago, sublinhando, no entanto, que o dólar continuará dominante e que vê poucas possibilidades de surgir uma moeda dos BRICS. Trata-se de uma ideia avançada pela Rússia e pelo Brasil, que deverá ser discutida quando a Índia acolher a cimeira dos BRICS ainda este ano, apesar das ameaças do Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, de impor tarifas de 100% a qualquer país que a adopte. “Não vejo como eles (os países dos BRICS) o fariam sem um banco central dos BRICS”, disse Kganyago. O governador acrescentou ainda que a composição das reservas cambiais da África do Sul — actualmente cerca de 60% em dólares — reflecte os padrões de comércio e não mudará, a menos que esses fluxos se alterem. Segundo apontou, a verdadeira motivação para a interoperabilidade dos sistemas de pagamentos rápidos é reduzir o elevado custo e a fricção das transferências transfronteiriças, especialmente em África, onde a não convertibilidade das moedas obriga a que o comércio seja facturado em dólares através de cadeias bancárias múltiplas.
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