O secretário executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Elias Magosi, apelou esta terça-feira, 9 de Setembro, ao Governo para ratificar e aderir a instrumentos jurídicos regionais, de forma a impulsionar o comércio e apoiar os países com menor capacidade financeira.

“Estamos a falar sobre como podemos facilitar o comércio entre nós, como Estados-membros da nossa região. O ponto-chave é remover muitos ‘gargalos’ e aprovar os nossos instrumentos”, afirmou o responsável, após reunir-se com o Presidente da República, Daniel Chapo, em Maputo.

Segundo o comunicado da Presidência, citado pela Lusa, entre os mecanismos disponíveis, o responsável destacou o Protocolo de Comércio e o Fundo de Desenvolvimento Regional, salientando a importância de Moçambique ratificar o fundo, que apoia países sem capacidade de financiamento, e o protocolo, considerado essencial para reforçar a integração comercial.

Elias Magosi elogiou ainda os progressos alcançados pelo País na dinamização dos corredores de transporte de Nacala, em Nampula, e da Beira, em Sofala, iniciativas apoiadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento e pela Africa50. “Quando os postos de fronteira de paragem única funcionam, o comércio circula facilmente, as pessoas circulam facilmente e o capital flui de forma rápida entre os países”, sublinhou.

A instabilidade em Cabo Delgado, província rica em gás e palco de ataques armados desde 2017 reivindicados por grupos associados ao autoproclamado Estado Islâmico, também esteve em destaque. O secretário executivo da SADC enalteceu os esforços do Governo na contenção da violência, defendendo que a segurança é essencial para o desenvolvimento local e para a concretização de projectos económicos estruturantes.

A SADC, criada em 1992, é composta por 16 Estados-membros, incluindo Moçambique. Nos últimos cinco anos, a balança comercial do País com parceiros africanos registou um crescimento de 66%, atingindo 7,1 mil milhões de dólares (454,4 mil milhões de meticais), embora permaneça deficitária no cômputo geral, segundo dados oficiais.

Apesar do crescimento económico, a violência continua a marcar a realidade de Cabo Delgado: só em Julho último, 29 pessoas morreram e 208 mil foram afectadas por ataques, de acordo com a ONU. Em 2024, registaram-se 349 vítimas mortais, um aumento de 36% em relação ao ano anterior, segundo o Centro de Estudos Estratégicos de África.a d v e r t i s e m e n t

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