advertisemen tA Rússia propôs a utilização do kwacha e do rublo (moeda russa) no comércio bilateral com a Zâmbia. A mais recente intenção tenta aprofundar os laços comerciais, facilitando transacções em moedas nacionais, em vez de recorrer predominantemente ao dólar norte-americano ou a outras moedas de reserva. O projecto surge num momento em que os padrões do comércio global se ajustam em resposta a dinâmicas geopolíticas em mutação, à volatilidade cambial e ao renovado interesse de alguns países em liquidar transacções recorrendo a moedas locais. Para a nação africana, a sugestão apresenta tanto oportunidades como considerações de política económica ligadas à estabilidade da taxa de câmbio, ao equilíbrio comercial e à gestão de riscos financeiros. Apoiantes da iniciativa, tanto no meio empresarial como governamental, encaram o comércio em moedas locais como uma via potencial para reduzir a pressão sobre as divisas estrangeiras e os custos de transacção. Defendem que a liquidação em kwacha e rublo poderá aliviar a procura por moeda forte, sobretudo em períodos de maior tensão financeira externa ou de limitada liquidez em dólares. No entanto, instituições financeiras e actores da política económica aconselham prudência, sublinhando que acordos comerciais baseados em moedas exigem infra-estruturas financeiras robustas, mecanismos estáveis de taxa de câmbio e quadros claros de liquidação. Alertam que, sem salvaguardas adequadas, a exposição à volatilidade cambial poderá introduzir novos riscos financeiros para importadores, exportadores e intermediários financeiros. Entretanto, a Zâmbia continua a gerir um processo mais amplo de reformas económicas, com vista à estabilização das finanças públicas, à gestão das obrigações da dívida e ao restabelecimento da confiança dos investidores. O envolvimento do país com parceiros financeiros internacionais e instituições multilaterais mantém-se como um elemento central dos esforços de recuperação económica, influenciando opções de política relacionadas com comércio, moeda e investimento estrangeiro. A proposta russa reflecte igualmente uma tendência global mais ampla, em que alguns países procuram alternativas a sistemas de comércio dominados pelo dólar. Os defensores da liquidação em moedas locais argumentam que tais arranjos podem reforçar a soberania financeira e reduzir a vulnerabilidade a choques económicos externos. Por outro lado, especialistas em comércio salientam que o perfil exportador da Zâmbia, dominado pelo cobre e por outras matérias-primas cotadas nos mercados globais, continua fortemente ligado a mecanismos de fixação de preços baseados no dólar. Alertam que a mudança das moedas de liquidação poderá exigir um cuidadoso alinhamento com as actuais estruturas de comércio de commodities, para evitar ineficiências ou complicações na formação de preços. No sector privado, exportadores e importadores avaliam de que forma um enquadramento kwacha-rublo poderá afectar preços, termos contratuais e exposição cambial. Algumas empresas manifestam interesse em opções diversificadas de liquidação, enquanto outras mantêm preocupações quanto à liquidez, aos instrumentos de cobertura cambial e à viabilidade prática de transacções em larga escala com moedas locais. A mais recente intenção tenta aprofundar os laços comerciais, facilitando transacções em moedas nacionais, em vez de recorrer predominantemente ao dólar norte-americano ou a outras moedas de reserva. A proposta também suscitou questões sobre o posicionamento mais amplo da política externa da Zâmbia, à medida que o país equilibra relações com parceiros ocidentais tradicionais, potências globais emergentes e aliados regionais. Observadores notam que as escolhas relativas à moeda de comércio podem ter implicações tanto económicas como simbólicas na diplomacia internacional. Paralelamente, o país prossegue esforços para diversificar a sua economia para além do cobre, com iniciativas dirigidas à agricultura, indústria transformadora e acrescento de valor. A expansão de parcerias comerciais e a exploração de modelos alternativos de liquidação inserem-se numa estratégia mais ampla de reforço da resiliência económica e do acesso aos mercados. Fonte: Lusaka Times
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