a d v e r t i s e m e n tA Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) alertou nesta quinta-feira (21) que o risco de ruptura da barragem de Senteeko, localizada na África do Sul, poderá comprometer o abrandamento das inundações nos distritos de Magude e Manhiça, na província de Maputo, bem como atrasar a reabertura da Estrada Nacional Número 1 (N1).

“Construída no rio Crocodilo, um dos afluentes do rio Incomáti, a barragem de Senteeko possui uma capacidade de armazenamento de cerca de 1,8 milhão de metros cúbicos. Contudo, devido às chuvas intensas, ultrapassou os limites de segurança e, em caso de ruptura, poderá gerar um caudal de pico entre 2300 e 2500 metros cúbicos por segundo em Ressano Garcia, com possibilidade de atingir Magude”, avançou a entidade.

Citado pela Agência de Informação de Moçambique, Agostinho Vilanculos, director nacional daquela instituição, afirmou ainda: “Neste momento, estamos com aproximadamente 9 metros de altura das águas, e se recebermos mais um volume desses, essa altura pode crescer, situando-se acima dos 10 metros, e consequentemente pode agravar as inundações à jusante, especialmente em Xinavane e na ilha Josina Machel, afectando as comunidades que vivem nas zonas baixas de Palmeiras e de 3 de Fevereiro.”

Segundo Vilanculos, este cenário poderá retardar o início do abaixamento das águas, mantendo submersos por mais tempo alguns troços da N1 e provocando danos adicionais na infra-estrutura rodoviária. “As autoridades sul-africanas estão a desenvolver acções para evitar o pior, tendo já mobilizado especialistas em segurança de barragens, mas apelamos às comunidades para que continuem afastadas das zonas de perigo.”

Em forma de actualização, Agostinho Vilanculos indicou que o País mantém mais de sete bacias hidrográficas em alerta, especificando que “na região sul, continuam sob vigilância as bacias do Maputo, Umbeluzi, Incomáti, Limpopo, Inhanombe e Save, com os níveis em subida, embora sem previsão de grandes impactos para as comunidades locais.”

“Na região Centro, as bacias do Búzi, Púnguè e Mafambisse permanecem com níveis elevados. A bacia do Zambeze encontra-se em alerta em diferentes pontos, recebendo caudais elevados que estão a fluir para a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, não constituindo, para já, grande perigo para a população”, esclareceu.

Nesta quarta-feira (21), o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) emitiu um aviso de alerta amarelo devido à aproximação de uma depressão tropical no Canal de Moçambique, prevendo-se que venha a agravar o cenário de emergência já instalado no sul do País, onde se registam cheias generalizadas e populações sitiadas.

Numa das suas intervenções recentes, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) alertou que Moçambique pode estar perante uma situação de cheias potencialmente mais grave do que a registada em 2000, na qual morreram aproximadamente 800 pessoas, naquela que é considerada uma das maiores catástrofes naturais da história do País.

As cheias de 2000 em Moçambique foram provocadas por chuvas intensas e ciclones tropicais, que atingiram sobretudo as bacias dos rios Limpopo, Incomáti, Umbelúzi e Save, afectando gravemente o sul e centro do País. O desastre deixou milhões de afectados, destruiu infra-estruturas, habitações e campos agrícolas e provocou elevados prejuízos económicos.

Actualmente, o Governo enfrenta um défice de 6,6 mil milhões de meticais para responder à actual época chuvosa, num contexto em que são necessários 14 mil milhões de meticais para assegurar a assistência humanitária, apoio aos deslocados, serviços de saúde e alimentação nos centros de acomodação.

Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.

O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.

Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.a d v e r t i s e m e n t

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