a d v e r t i s e m e n tO Ruada acolhe desde terça-feira (21) o GSMA MWC25 Kigali, um fórum que reúne líderes do sector da conectividade digital, inovadores e decisores políticos do continente africano e além, para analisar a forma como a tecnologia móvel pode impulsionar o futuro digital de África e acelerar o desenvolvimento inclusivo.
De acordo com um comunicado da GMSA – uma organização global que representa os interesses das operadoras móveis e do ecossistema móvel em todo o mundo -, o evento ocorre num momento em que o continente se encontra no início de uma revolução digital que deverá abrir oportunidades sem precedentes em toda a região. De forma a aproveitar esta oportunidade, o organismo destacou três prioridades urgentes para os decisores políticos, apelando a reformas políticas e investimentos ousados para tornar realidade os próximos passos na transformação digital de África:
Acessibilidade dos serviços móveis;
Modelos linguísticos de Inteligência Artificial (IA) inclusivos;
Resiliência energética.
Falando na abertura do evento, o director-geral da GSMA, Vivek Badrinath, destacou o sector móvel africano como um dos mais dinâmicos do mundo. “Mas temos de enfrentar barreiras persistentes, como os custos elevados dos dispositivos, as questões de disponibilidade de energia e a falta de IA inclusiva”, afirmou o responsável, apelando também a esforços conjuntos com Governos, indústria e parceiros de desenvolvimento para “tornar a inclusão digital acessível, sustentável e significativa para todos os africanos.”
Relatório GSMA Mobile Economy Africa 2025
África está na vanguarda de uma transformação digital que está a remodelar todos os sectores da sua economia, com a população mais jovem e de crescimento mais rápido do mundo. O Relatório GSMA Mobile Economy Africa 2025, lançado nesta terça-feira, mostra como a conectividade móvel está a impulsionar o crescimento económico, a inovação e a inclusão em todo o continente.
Das principais conclusões, o documento detalha que o sector móvel contribuiu com 220 mil milhões de dólares para a economia africana em 2024 (7,7% do Produto Interno Bruto), com uma projecção de atingir 270 mil milhões de dólares até 2030 (7,4%). O ecossistema sustentou cerca de 8 milhões de empregos (5 milhões directos, 3 milhões indirectos) e gerou 30 mil milhões de dólares em financiamento público em 2024.
O relatório aponta ainda que 416 milhões de pessoas em África utilizam agora a Internet móvel, número que deverá aumentar para 576 milhões até 2030 (33% da população). A adopção do 4G aumentará de 45% para 54%, enquanto as ligações 5G deverão aumentar de 2% para 21% até 2030.
Entretanto, lê-se no documento, a lacuna de cobertura em África é inferior a 5%, mas persiste uma lacuna de utilização de 960 milhões de pessoas – 790 milhões só na África Subsaariana, a maior lacuna de utilização do mundo. Entre 2024-30, as operadoras investirão 77 mil milhões de dólares em novas redes, com receitas que deverão atingir 79 mil milhões de dólares até 2030, detalha o documento.
Coligação para a acessibilidade dos telemóveis
Durante a abertura do evento, a GSMA e seis das maiores operadoras móveis de África – Airtel, Axian Telecom, Ethio Telecom, MTN, Orange e Vodacom – propuseram uma nova base de referência para toda a indústria para um smartphone 4G básico acessível. A iniciativa visa reduzir os custos dos smartphones e expandir a inclusão digital em todo o continente. Um sucesso recente foi observado na África do Sul, onde o Governo aboliu os impostos ad valorem (luxo) de 9% sobre smartphones básicos com preço igual ou inferior a 2500 rands (150 dólares) – um passo decisivo para expandir a inclusão digital para milhões de pessoas.
Modelos de linguagem de IA africanos
O futuro da IA é um dos temas a ser debatidos na edição do MWC Kigali deste ano. O mesmo destaca como a inovação liderada por África está a transformar a IA em soluções práticas nas áreas da saúde, educação e finanças. Com base nisso, a GSMA — juntamente com as principais operadoras móveis do continente e o ecossistema de IA — Airtel, African Population for Health Research Center (APHRC), Awarri, Axian Telecom, Cassava Technologies, Ethio Telecom, Masakhane African Languages Hub, Lelapa AI, MTN, Orange, Pawa AI, Qhala, World Sandbox Alliance e Vodacom – anunciaram uma colaboração em todo o continente para desenvolver modelos linguísticos africanos inclusivos de IA.
Sob a ambição comum “IA na África, por África, para África”, a iniciativa terá como objectivo fortalecer o ecossistema de IA de África, abordando lacunas em dados, computação, talentos e políticas, garantindo que as línguas, culturas e conhecimentos africanos estejam representados no futuro digital global.
Resiliência energética: alinhamento das políticas no Programa Ministerial
A energia fiável e acessível continua a ser um factor essencial para a inclusão digital. O Relatório GSMA Mobile Economy Africa 2025 destaca que mais de 80% da população mundial sem acesso à electricidade vive em África, sublinhando que o acesso à energia é uma barreira fundamental à transformação digital. No entanto, sem energia fiável, as comunidades não podem beneficiar plenamente da conectividade móvel, dos serviços digitais ou da expansão da banda larga.
Ministros e reguladores reunir-se-ão no Programa Ministerial da GSMA para explorar como o planeamento nacional para a energia e a conectividade digital podem ser alinhados – desbloqueando o uso produtivo de ambos para impulsionar os serviços digitais, melhorar os meios de subsistência, impulsionar o desenvolvimento sustentável e apoiar a transição de África para uma economia moderna e conectada.
Por sua vez, Angela Wamola, directora da GSMA para África, acrescentou: “Aqui em Kigali, a mensagem é clara: África tem o talento e a ambição, mas as reformas em matéria de acessibilidade, IA e energia são essenciais para impulsionar o crescimento inclusivo e garantir que todos beneficiem da economia digital.”
O GSMA MWC25 Kigali é a edição de 2025 do Mobile World Congress (MWC), realizado na cidade de Kigali, capital do Ruanda. O evento, considerado o maior e mais influente de África no sector de conectividade digital, é organizado pela GSMA em parceria com o Ministério de TIC e Inovação do Ruanda. A edição deste ano decorre de 21 a 23 de Outubro e conta com a participação de mais de quatro mil delegados de 109 países, incluindo líderes governamentais, operadores de rede, investidores e profissionais de tecnologia.
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