a d v e r t i s e m e n tA África do Sul, considerada o país mais rico do continente africano, enfrenta uma das mais acentuadas desigualdades de rendimentos a nível mundial. Segundo o Relatório do Laboratório Mundial da Desigualdade (World Inequality Lab-WIL), os 10% mais ricos da população concentram 66% do rendimento nacional, enquanto metade dos sul-africanos vive com apenas 6% desse rendimento.

Este cenário contrasta com a dimensão da economia do país. De acordo com a comparação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 da Statista, uma plataforma alemã de inteligência de mercado, a economia sul-africana está estimada em 410 mil milhões de dólares, sendo a maior de África.

Apesar desta robustez económica, a distribuição da riqueza permanece profundamente desigual. O Africa Wealth Report, elaborado pela consultora Henley & Partners, indica que a África do Sul possui cerca de 41,1 mil milionários com um património líquido igual ou superior a um milhão de dólares, além de oito bilionários, a maior concentração registada no continente africano.

Ainda assim, segundo dados do WID.world, plataforma associada ao WIL, a economia sul-africana continua marcada por uma concentração estrutural do rendimento, incapaz de beneficiar a maioria da população. O crescimento económico permanece circunscrito a uma minoria, enquanto uma parte significativa dos cidadãos permanece afastada dos ganhos gerados pela economia.

A África do Sul não é um caso isolado no continente. Outros países africanos figuram igualmente entre os mais desiguais do mundo. Na Argélia, os 10% mais ricos concentram 49% do rendimento total; no Egipto, essa percentagem é de 48%; e no Níger, os 10% do topo recebem 44% do rendimento nacional.

A desigualdade, contudo, varia significativamente à escala global. O local de nascimento de uma pessoa continua a ser um dos principais factores determinantes do rendimento e da riqueza. Embora as médias regionais forneçam uma visão geral, estas ocultam diferenças profundas entre países mais ricos e mais pobres dentro das mesmas regiões.

Desigualdades globais de riqueza

À escala mundial, em 2025, os 10% mais ricos da população controlavam 75% da riqueza global. Em contraste, os 40% intermédios detinham 23%, enquanto a metade mais pobre da população mundial possuía apenas 2% da riqueza total.

Desde a década de 1990, a riqueza dos bilionários e dos centi-milionários tem crescido a um ritmo aproximado de 8% ao ano, quase o dobro do crescimento registado pela metade mais pobre da população mundial.

Os 0,001% mais ricos – menos de 60 mil indivíduos em todo o mundo – detêm actualmente três vezes mais riqueza do que os 50% mais pobres da humanidade. A quota deste grupo aumentou de cerca de 4% em 1995 para mais de 6% na actualidade.

Embora os segmentos mais pobres tenham registado ganhos modestos ao longo dos anos, estes são largamente ultrapassados pela rápida acumulação de riqueza no topo da pirâmide económica. Este desequilíbrio tem contribuído para a formação de um mundo em que uma minúscula minoria concentra um poder financeiro extraordinário, enquanto milhares de milhões de pessoas continuam a lutar pela segurança económica básica.

Em termos de rendimento, em 2025, os 10% mais ricos auferiram 53% do rendimento global. Os 40% intermédios ficaram com 38%, enquanto os 50% mais pobres receberam apenas 8%.

Fonte: Reuters

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