O ministro do Petróleo e Gás de Angola, Diamantino Azevedo, afirmou nesta segunda-feira (1) que a refinaria de petróleo de Cabinda, com capacidade para 30 mil barris por dia (bpd), a primeira a ser construída no país desde a independência há meio século, começará a produzir combustível até ao final do ano. De acordo com a Reuters, o projecto, que será a segunda refinaria de petróleo de Angola, ajudará a tornar o segundo maior produtor de petróleo bruto da África Subsaariana menos dependente das importações dispendiosas de combustível, num contexto de esforços do Governo para eliminar os subsídios aos combustíveis que têm desencadeado protestos mortais. “Hoje podemos confirmar que a refinaria de Cabinda está a entrar na sua fase decisiva e que, até ao final do ano, Angola terá os primeiros derivados comerciais produzidos nesta unidade”, afirmou Diamantino Azevedo, durante a cerimónia de inauguração que contou também com a presença do Presidente de Angola, João Lourenço. A Gemcorp, uma empresa de investimento em mercados emergentes sediada em Londres, é a maior accionista da fábrica (com 90% das acções) e destacou anteriormente que a primeira fase iria fornecer 5 a 10% das necessidades de combustível do país. A petrolífera estatal Sonangol detém os restantes 10% das acções e fornece matéria-prima à refinaria. Angola importa cerca de 72% do seu consumo interno de combustível, ou seja, cerca de 3,3 milhões de toneladas métricas de produtos petrolíferos refinados por ano. O investimento para a primeira fase atingiu 500 a 550 milhões de dólares, de acordo com a Gemcorp, acima das estimativas iniciais, devido ao aumento dos custos causado pela pandemia e pela inflação. A segunda fase deverá elevar a capacidade de processamento de petróleo bruto para 60 mil bpd e colocar em operação uma unidade de refinação para produção de diesel e combustível de aviação. Azevedo salientou que a construção da refinaria proposta de 100 mil bpd em Soyo estava a ser revista devido a restrições apresentadas pelo promotor privado, o consórcio norte-americano Quanten. No entanto, a construção da refinaria de Lobito seria reiniciada após uma revisão completa e “uma redução significativa dos custos”, acrescentou o ministro, sem fornecer mais detalhes. No início deste ano, um representante da Sonangol declarou à Reuters que estava em negociações com bancos chineses e europeus para superar um défice de financiamento de 4,8 mil milhões de dólares para a refinaria de Lobito, com capacidade para 200 mil bpd.
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