O ministro dos Transportes e Comunicações, João Matlombe, reconheceu que o processo de reestruturação da transportadora aérea nacional Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) implica a redução do número de trabalhadores, o que torna o exercício particularmente sensível. “As pessoas não são máquinas”, afirmou o governante, sublinhando a necessidade de uma abordagem humana na condução das mudanças em curso, tal como informou a Agência de Informação de Moçambique.

Matlombe falava esta segunda-feira (11), na cidade da Beira, província de Sofala, durante a cerimónia de entrega de 10 viaturas ao Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), destinadas a reforçar a fiscalização do tráfego nas regiões centro e norte do País.

A LAM tem atravessado, nos últimos anos, uma crise financeira profunda, marcada por dívidas acumuladas superiores a 230 milhões de dólares (14 mil milhões de meticais), resultantes de práticas de má gestão e alegados casos de corrupção envolvendo funcionários da própria empresa, sobretudo durante processos de aquisição de serviços. Em determinada fase, a companhia operava com apenas dois aviões.

Em 2023, o Governo contratou a empresa sul-africana Fly Modern Ark (FMA) para implementar medidas urgentes de recuperação e conduzir a LAM à rentabilidade. No entanto, a intervenção revelou-se ineficaz e não conseguiu reverter a trajectória de falência iminente da empresa.

O ministro revelou que a reestruturação está a ser conduzida em duas fases. A primeira deverá estar concluída até Dezembro deste ano, sendo que a segunda etapa será implementada ao longo de 2026. “Gostaríamos de ter avançado mais, mas, dada a complexidade do processo, não foi possível. Ainda assim, as medidas necessárias foram tomadas e o processo seguirá o seu curso”, afirmou.

Matlombe apelou à colaboração activa dos trabalhadores da LAM, sublinhando que a continuidade da empresa depende do empenho interno. “Estamos a trabalhar para construir a melhor companhia aérea do País, que possa orgulhar os moçambicanos e permitir a mobilidade em todo o território nacional”, declarou.

No mesmo evento, o governante destacou que os meios entregues ao INATRO visam intensificar a fiscalização rodoviária nas regiões centro e norte, como forma de reduzir o número de acidentes. “Os acidentes de viação constituem hoje a principal causa de morte no País. Estão a matar mais do que qualquer doença de saúde pública, o que é extremamente preocupante”, alertou.

Matlombe acrescentou que os prejuízos económicos causados por acidentes rodoviários são significativos e que a velocidade não é o único factor. “É necessário um envolvimento de toda a sociedade para combater este flagelo”, reforçou.

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