a d v e r t i s e m e n tO Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, pediu por maiores investimentos em áreas de conservação transfronteiriças em África, argumentando que o património natural de África pode tornar-se um poderoso impulsionador da unidade, do desenvolvimento sustentável e do crescimento do turismo.
Falando em Nova Iorque à margem da 80.ª Sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), Ramaphosa posicionou a conservação como um imperativo ecológico e económico.
“A natureza não conhece barreiras políticas”, afirmou o governante, destacando o sucesso das Áreas de Conservação Transfronteiriças (ACTF) já estabelecidas na África Austral. Exemplos como os parques transfronteiriços do Grande Limpopo e de Kgalagadi demonstram como corredores de vida selvagem que abrangem vários países podem fortalecer os laços regionais e, ao mesmo tempo, atrair receitas globais do turismo.
Ao ampliar essa abordagem em todo o continente, argumentou o Presidente, “África pode simultaneamente proteger a biodiversidade e abrir novos caminhos para a cooperação intra-africana”.
O turismo como força unificadora
O turismo continua a ser uma das indústrias mais dinâmicas de África, representando mais de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nos anos pré-pandemia e empregando milhões de pessoas em todo o continente. Os parques transfronteiriços prometem aprofundar esses ganhos, oferecendo experiências únicas de viagem em vários países, apoiadas por regimes de vistos simplificados e infra-estrutura integrada.
Para Ramaphosa, a ligação é clara: as áreas de conservação que se estendem por fronteiras fazem mais do que proteger espécies, liberam valor económico compartilhado, permitindo que as comunidades beneficiem de empregos, investimentos e intercâmbio cultural.
Um modelo para crescimento sustentável
Além do turismo, a conservação transfronteiriça alinha-se com a agenda mais ampla de resiliência climática e sustentabilidade da África. Paisagens protegidas absorvem carbono, preservam ecossistemas e salvaguardam recursos hídricos essenciais para a agricultura e bem-estar humano. A gestão coordenada transfronteiriça pode ampliar esses benefícios, tornando a conservação parte integrante da adaptação de África às mudanças climáticas.
A Parceria África-Chave, lançada em Nova Iorque, busca mobilizar recursos e expertise técnica para apoiar tais iniciativas. Ao unir Governos, actores do sector privado e a sociedade civil, a parceria visa fornecer financiamento de longo prazo e modelos de governança que garantam que a conservação se traduza em desenvolvimento inclusivo.
Desafios no horizonte
Transformar a visão em realidade exigirá a superação de desafios. Controlos de fronteira, lacunas de infra-estrutura e riscos à segurança complicam frequentemente a movimentação transfronteiriça de pessoas e animais selvagens. Garantir que as comunidades locais compartilhem os benefícios da conservação é igualmente crucial; sem ganhos tangíveis, o apoio às áreas protegidas pode diminuir.
No entanto, o apelo de Ramaphosa reflecte o crescente reconhecimento de que a biodiversidade de África é um dos seus maiores activos, e que pode unir em vez de dividir.
Rumo a um legado continental
À medida que África procura diversificar as suas economias e fortalecer a integração regional, a conservação transfronteiriça representa uma oportunidade rara: um sector onde ecologia, economia e identidade convergem. Se adoptada em todo o continente, a visão delineada pelo Presidente Ramaphosa poderá redefinir a oferta turística da África e garantir um legado que se estende muito além das fronteiras nacionais.
Fonte: Further Africa
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