
Um grupo de trabalhadores da Microsoft, composto não só por atuais funcionários como também por pessoas que já passaram pela gigante tecnológica, reuniu-se numa praça junto à sede em Redmond, no estado de Washington nos EUA, num protesto que visa a parceria da empresa com o exército de Israel. O protesto é da responsabiliade da No Azure for Apartheid, uma organização que tem lançado apelos para que a Microsoft cesse a partilha de tecnologia com o governo de Israel numa altura em que a comunidade internacional tem alertado para as condições a que o povo palestiano em Gaza está a ser submetido no conflito que ainda decorre contra o Hamas. Este protesto surge pouco depois de uma investigação partilhada pelo The Guardian ter revelado a relação entre a Microsoft e o exército israelita, que tem usado a tecnologia da empresa na plataforma Azure para reunir e armazenar milhões de chamadas telefónicas e mensagens de texto em Gaza e na Cisjordânia. Alegadamente, estas informações foram usadas não só para chantagear e prender palestinianos, como também para selecionar alvos para bombardeamento em Gaza. © Getty Depois desta investigação ter sido tornada pública, a Microsoft anunciou que decidiu lançar uma avaliação interna para perceber como a tecnologia da plataforma Azure tem sido usada pelo para reunir dados de palestinianos. Na altura, a tecnológica de Redmond notou que este tipo de uso para levar a cabo “vigilância em massa” é proibido pelos termos de serviço. Em relação a este protesto em Redmond, diz o site PC Gamer que um porta-voz da Microsoft afirmou que “foi pedido (aos protestantes) para saírem, e saíram”. No entanto, a No Azure for Apartheid afirma que os protestantes no local foram “dispersados pela política sob ameaça de prisão” devido ao facto de a praça em que estavam ser propriedade privada da Microsoft. Pode ver na galeria acima algumas das imagens deste protesto na sede da Microsoft em Redmond. A Microsoft deverá exigir que os funcionários se desloquem pelo menos três vezes por semana aos escritórios da empresa em Redmond, no estado de Washington nos EUA. A empresa despediu cerca de 15 mil trabalhadores nos últimos meses. Miguel Patinha Dias | 19:31 – 07/08/2025 Conferência anual da Microsoft interrompida Serve recordar que esta não é a primeira vez que a Microsoft é alvo de acusações de estar a contribuir para a atual situação em Gaza. Em maio deste ano um funcionário da Microsoft interrompeu a conferência anual Build para protestar contra os contratos nas áreas da ‘cloud’ e da Inteligência Artificial (IA) com o governo de Israel. De acordo com os relatos do site The Verge, passavam apenas alguns minutos desde que o CEO Satya Nadella tinha subido ao palco do evento em Seattle e foi interrompido por um funcionário da empresa, com outra pessoa presente no evento a gritar “libertem a Palestina”. Pode ver o momento no vídeo acima, que mostra também o funcionário a ser escoltado para fora do recinto. Pouco depois, o funcionário responsável por interromper a conferência partilhou um e-mail com milhares de outros trabalhadores da Microsoft e identificou-se como Joe Lopez – um engenheiro de ‘firmware’ que passou os últimos quatro anos a trabalhar na equipa de sistemas de ‘hardware’ da divisão Azure. “A liderança rejeita as nossas alegações de que a tecnologia Azure está a ser usada para atingir ou ferir civis em Gaza. Aqueles de nós que têm estado atentos sabem que isto é uma mentira descarada”, pode ler-se no e-mail. “Cada byte de dados que é armazenado na ‘cloud’ (muitos dos quais provavelmente contendo dados obtidos por via de vigilância em massa ilegal) pode e será usado como justificação para arrasar cidades e exterminar palestinianos”. Leia Também: Líder do GitHub está de saída. Empresa será ‘engolida’ pela Microsoft
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