a d v e r t i s e m e n tA Presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, prometeu, na sexta-feira (14), investigar a violência durante as eleições do mês passado e endereçou condolências às famílias enlutadas, no seu reconhecimento mais público até à data do impacto dos confrontos.
Segundo a Reuters, Hassan disse que o Estado criaria uma comissão e trabalharia em prol da “reconciliação e da paz”. Não houve reacção imediata do principal partido da oposição, o Chadema, que afirmou que as forças de segurança mataram mais de mil pessoas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou, na semana passada, acreditar que centenas de pessoas foram mortas durante os protestos, que foram motivados pela exclusão dos dois principais candidatos da oposição, e pelo que os activistas chamaram de repressão à dissidência — acusações rejeitadas pelo Governo.
No seu primeiro discurso ao Parlamento desde que venceu as eleições de 29 de Outubro com quase 98% dos votos, Hassan pediu um minuto de silêncio e disse aos legisladores: “Apresento as minhas condolências a todas as famílias que perderam os seus entes queridos.”
“O Governo tomou a iniciativa de criar uma comissão de inquérito para investigar o que aconteceu, para que possamos conhecer a causa-raiz do problema”, acrescentou, sem dizer quem estava por detrás da violência.
O Executivo rejeitou as declarações da oposição sobre mortes e feridos como exageradas, mas não apresentou as suas próprias estimativas sobre o impacto da agitação que mergulhou o país da África Oriental na sua maior crise política em décadas.
Acusações de traição
Maria Sarungi Tsehai, uma activista tanzaniana que vive no Quénia, respondeu às declarações de Hassan apelando à Presidente para que se demitisse. “Esta selvajaria, esta atrocidade que você e o seu bando cometeram tem de acabar! Não há paz sem justiça”, escreveu ela na rede social X.
Os procuradores do Estado acusaram centenas de jovens de traição pelo seu alegado envolvimento nos protestos.
Hassan disse na sexta-feira que alguns “não sabiam o que estavam a fazer”, e pediu aos procuradores que retirassem as acusações contra aqueles que “apenas seguiram a multidão.”
Por sua vez, os observadores da União Africana (UA) declararam que a votação foi marcada por fraudes eleitorais.
Entretanto, o Governo rejeitou as acusações de violações generalizadas dos direitos humanos e defendeu a conduta das forças de segurança na resposta aos protestos, afirmando ainda que a votação foi justa.
No ano passado, Hassan ordenou uma investigação sobre relatos de que críticos do Governo tinham sido sequestrados, mas ainda não foram divulgadas quaisquer conclusões.
A Tanzânia, que produz cobre e ouro, espera um crescimento económico de 6% este ano, impulsionado em parte pela construção de estradas, ferrovias e centrais eléctricas.
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