Moçambique necessita de 37,2 mil milhões de dólares (2,3 mil milhões de dólares) para alcançar a plena resiliência climática, valor que representa não apenas o custo da adaptação, mas também a esperança de milhões de moçambicanos, segundo dados reiterados nesta quinta-feira, 6 de Novembro, pelo Presidente da República, Daniel Chapo.
O chefe do Estado encontra-se na cidade de Belém, no Brasil, onde participa na cúpula de líderes. O evento antecede a 30.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30) que também vai acontecer na mesma região, de 10 a 21 de Novembro.
“A mobilização de financiamento é condição essencial para a sobrevivência dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas. As promessas devem ser honradas e operacionalizadas, o Fundo de Perdas e Danos deve tornar-se um verdadeiro instrumento de justiça climática global”, descreveu.
O governante apelou para que os mecanismos multilaterais e bilaterais sejam mais acessíveis e sensíveis às realidades dos países em desenvolvimento. “Os países desenvolvidos devem liderar, através da ampliação das suas acções de mitigação e assegurando apoio financeiro e tecnológico previsível e suficiente.”
“A equidade climática deve reconhecer o direito dos países africanos ao desenvolvimento, incluindo o acesso à energia limpa, infra-estruturas e oportunidades industriais sustentáveis. Moçambique é um país de vastas riquezas naturais e extraordinária beleza, mas também de elevada vulnerabilidade climática, sendo ciclicamente afectado por ciclones e inundações que comprometem o desenvolvimento”, clarificou.
Apesar das dificuldades, o Presidente destacou os progressos alcançados, referindo a “Iniciativa de Preservação e Protecção da Floresta do Miombo” e a aprovação da Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-34, integrada na planificação orçamental do Estado. “Estes instrumentos são convites abertos à cooperação e ao investimento verde. A luta contra as mudanças climáticas é também uma oportunidade de transformar economias e criar empregos”, observou.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre Outubro e Abril. Só entre Dezembro e Março últimos, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024.
O número de ciclones que atingem o País “tem vindo a aumentar na última década”, bem como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em Março.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
Recentemente, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais (217,1 milhões de dólares). No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais (93 milhões de dólares) da verba necessária.
Em Setembro, as autoridades alertaram para cheias de “grande magnitude” no País e inundações em, pelo menos, quatro milhões de hectares agrícolas durante a época chuvosa 2025-26. “Entre Janeiro, Fevereiro e Março, achamos que vamos ter chuvas e cheias de grande magnitude, aquilo que classificamos como um regime alto, sobretudo nas bacias de Incomáti, Maputo e Limpopo”, afirmou Agostinho Vilanculos, director nacional de Gestão de Recursos Hídricos.a d v e r t i s e m e n t
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