advertisemen tO presidente da República, Daniel Chapo, considerou “muito positiva” a 39ª Cúpula da União Africana, destacando o papel da presidência angolana, os desafios das mudanças climáticas e a necessidade de a África conquistar um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. As declarações foram dadas à RFI após o encontro. Segundo o chefe do Estado, a cúpula deu atenção especial às questões de infraestrutura e água no continente. “Faço uma avaliação muito positiva, porque a 39ª Cúpula da União Africana focou muito em assuntos ligados à infraestrutura e, sobretudo, à questão da água”, disse. Chapo também elogiou a liderança do presidente angolano, João Lourenço, dizendo que ele “fez um esforço extraordinário” em iniciativas de paz e segurança, com destaque para a situação no leste da República Democrática do Congo. África quer reforma das Nações Unidas O presidente da República defendeu que chegou o momento de reformar as Nações Unidas para garantir maior representatividade africana. “Acreditamos que chegou a hora de as Nações Unidas avançarem com reformas, que vão além da questão do secretário-geral e incluem o assento no Conselho de Segurança”, ressaltou. Chapo considerou essencial que os países africanos se organizem para falar com uma só voz nos principais fóruns multilaterais, tanto na escolha do próximo secretário-geral da ONU quanto na reivindicação de maior peso institucional. Para o Presidente moçambicano, a unidade continental é decisiva para reforçar a influência política da África no sistema internacional. Golpes de Estado e defesa da democracia Questionado sobre a persistência de golpes de Estado no continente, o Presidente se mostrou preocupado e voltou a elogiar a posição firme de João Lourenço. “Não podemos normalizar golpes de Estado no continente africano”, advertiu, defendendo o respeito às constituições nacionais e aos princípios da União Africana. Daniel Chapo ressaltou que os povos africanos “têm o direito de escolher seus líderes” por meio de processos eleitorais regulares, reiterando o compromisso do País com o Estado democrático de direito. Mudanças climáticas e justiça climática No plano climático, o chefe de Estado afirmou que a África está mais unida, mas alertou que ainda há “um longo caminho entre palavras e ação”. Ele lembrou que Moçambique continua vulnerável a eventos extremos, citando as cheias recentes e o impacto do ciclone Gezani, que causou o deslocamento de cerca de 800 mil pessoas. “Se o mundo reconhecesse que a África, e Moçambique em particular, contribui muito pouco para a poluição, deveria haver compensações. Isso seria verdadeira justiça climática”, defendeu. Apesar das limitações financeiras, Chapo reconheceu progressos nos sistemas de aviso prévio, ressaltando que o número de vítimas tem diminuído. Segurança em Cabo Delgado e apelo ao multilateralismo Sobre a situação em Cabo Delgado, o Presidente afirmou que o quadro de segurança está “relativamente melhor” do que em anos anteriores, embora persistam ataques esporádicos em áreas rurais. Ele garantiu que nenhuma vila está atualmente sob ocupação insurgente e destacou o apoio de parceiros internacionais, incluindo forças ruandesas e agências das Nações Unidas. Chapo reiterou que tanto o terrorismo quanto as mudanças climáticas exigem respostas globais. “O multilateralismo é extremamente importante”, disse, alertando que o foco excessivo em soluções bilaterais pode comprometer o futuro.advertisement
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