Antes de o sol aquecer as planícies da zona-tampão do Parque Nacional de Maputo (PNAM), Adelina Chinda caminha entre as fileiras de piripiri que hoje garantem o sustento da sua família. A cada passo, a cada olhar, ela carrega memórias de luta, persistência e esperança — histórias silenciosas que revelam os desafios que enfrentou ao longo do seu percurso.
Tal como outras mulheres da comunidade de Matchia, no PNAM, Adelina não começou com terras férteis nem oportunidades garantidas. Começou com desafios e incertezas. Começou apenas com a vontade de não desistir.
Em 2010, quando a Associação Comunitária de Matchia foi criada para promover a agricultura sustentável, Adelina viu ali uma oportunidade para recomeçar. A terra existia, mas faltava quase tudo o resto: os insumos agrícolas, as ferramentas, o apoio técnico, a organização da produção e, acima de tudo, um mercado capaz de valorizar o esforço dos produtores locais.
Para ela, o sustento vinha de actividades que, embora necessárias para sobreviver, eram prejudiciais ao ecossistema do Parque, como o abate de árvores para a produção de carvão vegetal. Era uma escolha: proteger o ambiente ou alimentar os filhos. Porque a vida não oferecia escolhas, procurava no abate de árvores a sua renda. Havia ainda outro obstáculo: os animais do Parque, que atravessavam a área em busca de alimento, destruindo machambas. A cada dia, Adelina nunca sabia se ainda teria colheita para garantir o sustento.
Foi neste cenário que foi assinado o memorando de entendimento entre a Associação de Matchia, o PNAM e o Restaurante Nando’s para a aquisição do piripiri local. Pela primeira vez, o esforço de Adelina e das outras 14 famílias produtoras tinha destino certo e rendimento garantido. Era o início de uma nova etapa: a agricultura deixava de ser uma incerteza para se tornar oportunidade.
O oportuno sabor picante do Absa Bank Moçambique
Para que o sonho de Adelina e de outras mulheres da Associação crescesse, era preciso mais do que um comprador do produto final. Era preciso proteger as culturas, garantir uma produção consistente e fortalecer as famílias. Foi aí que o Absa Bank Moçambique, através do Clube dos Amigos do PNAM “Mungano”, entrou na história, como um saboroso sabor picante indispensável na vida.
“Acreditamos que cada história pode inspirar e transformar. Apoiar projectos sociais significa abrir caminhos para que mais moçambicanos escrevam o seu próprio futuro”
Com o apoio do Absa, foram instaladas vedações que protegem as machambas dos animais que antes dizimavam as plantações. Pela primeira vez, Adelina podia dormir sem temer acordar e ver o seu trabalho destruído. O Absa não levou apenas infra-estrutura: levou confiança, dignidade e a possibilidade de as famílias acreditarem no seu próprio futuro.
É neste ponto que a voz de Adelina ganha força: “Houve momentos em que pensei que não ia conseguir. Eu plantava com esperança e acordava com o coração apertado, sem saber se os animais tinham levado tudo. Mas eu não desisti. Quando o Absa chegou com as vedações e acreditou no nosso trabalho, senti que alguém finalmente acreditava em mim também. Hoje, sou produtora de referência na minha comunidade porque, primeiro, tive coragem e depois tive parceiros que caminharam comigo.”
Tânia Oliveira, Directora de Marketing e Relações Corporativas do Absa Bank Moçambique, explica que a parceria do Banco reforça a visão de que o desenvolvimento social e a conservação ambiental podem e devem caminhar juntos. “Acreditamos que cada história pode inspirar e transformar. Apoiar projectos sociais significa abrir caminhos para que mais moçambicanos escrevam o seu próprio futuro com dignidade, com identidade e com orgulho.”
Com o apoio do Absa, diversos sonhos são hoje realidades competitivas nas respectivas áreas
A multiplicadora de exemplos e de sonhos
O que começou com 15 famílias, hoje envolve 30. São mais de 14 hectares cultivados, organizados, produtivos e sustentáveis. A renda aumentou, novas oportunidades surgiram e o espírito comunitário fortaleceu-se.Adelina já não é apenas produtora. É empreendedora, multiplicadora de conhecimento e o exemplo de que a mudança começa quando alguém acredita e encontra parceiros que acreditam consigo. Com orgulho, ela fala dos próximos passos: ampliar a produção, envolver mais famílias, diversificar culturas e continuar a cultivar não só piripiri, mas também um futuro melhor para a sua comunidade.
A jornada de Adelina Chinda não é somente sobre a agricultura. É sobre coragem. Sobre a força de uma mulher que olhou para a dificuldade e respondeu com resiliência. Sobre uma comunidade que transformou desafios em oportunidades. E sobre parceiros, como o Absa, que acreditam que o desenvolvimento económico e a conservação ambiental caminham melhor juntos.
Hoje, na zona-tampão do PNAM, cresce mais do que a produção de piripiri. Cresce o futuro, cresce a esperança. Cresce a prova de que grandes histórias começam onde há determinação e continuam onde existem aliados que acreditam.
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