Powell ainda dá força à Ásia mas otimismo na Europa já desvaneceu


Os principais índices asiáticos arrancaram a semana com o “pé direito”, ainda impulsionados pelo otimismo em torno do discurso de Jerome Powell no simpósio anual da Reserva Federal (Fed) norte-americana em Jackson Hole. O presidente do banco central apontou para um “ajuste” na política monetária do país e, embora tenha reconhecido que todas as decisões têm de ser acompanhadas por uma análise atenta dos dados económicos, a sugestão foi suficiente para deixar os investidores em euforia – uma reação demorada na Ásia, visto que as praças da região já estavam encerradas na sexta-feira quando Powell falou aos mercados. 


“O sinal de Powell de que os desejos dos mercados se tornarão realidade (em relação a um corte nas taxas de juro em setembro) deverá servir para colmatar as fissuras nos mercados asiáticos, que têm estado a sofrer ligeiras oscilações”, explica Hebe Chen, analista da Vantage Market, à Bloomberg. “Para os investidores, esta nova dose de otimismo deverá manter o apetite pelo risco em alta”, conclui. 


Neste contexto, as ações chinesas foram as que mais beneficiaram de um possível corte nas taxas de juro dos EUA já na próxima reunião, com o setor tecnológico listado em Hong Kong a acelerar quase 3% numa só sessão. O mais abrangente Hang Seng terminou a negociação com ganhos expressivos de 1,9%, enquanto o Shanghai Composite acelerou para máximos de quase uma década – impulsionado ainda pelo setor imobiliário, agora que a cidade chinesa vai aliviar as restrições à compra de imóveis. 


Pela Coreia do Sul, a euforia também se fez sentir, com o principal índice do país, o Kospi, a crescer mais de 1% esta segunda-feira, enquanto no resto do continente o otimismo mostrou-se bastante mais contido. Os japoneses Topix e Nikkei 225 valorizaram 0,11% e 0,40%, respetivamente, enquanto o australiano S&P/ASX 200 subiu apenas 0,1%. 


Depois de uma reação inicial na sexta-feira, com o “benchmark” europeu Stoxx 600 a aproximar-se de máximos históricos, a sessão desta segunda-feira no Velho Continente encaminha-se para abrir no vermelho – com os investidores a deixarem de lado o otimismo em torno de um novo corte nas taxas de juro em setembro e a focarem-se nos resultados trimestrais das empresas da região, que têm ficado ligeiramente abaixo das expectativas dos analistas.

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