Quase seis em cada dez profissionais da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) têm trabalhos ocasionais ou paralelos, segundo uma pesquisa da norte-americana Harris Poll em parceria com a Glassdoor, um dos maiores sites de recrutamento a nível global.

A percentagem é maior do que em qualquer outra geração, evidenciando uma mudança na forma como os jovens encaram a ambição profissional.

Para gerações anteriores, o caminho para o sucesso passava normalmente por subir a escada corporativa, conquistar promoções e, eventualmente, alcançar a cobiçada sala da chefia. A Geração Z não demonstra interesse em seguir esse mesmo roteiro. Em vez disso, direcciona a sua energia para projectos pessoais, trabalho como “freelancer” e iniciativas fora do emprego tradicional.

Porque é que a Geração Z está a rejeitar a escada corporativa

Um estudo da Glassdoor mostra que 68% dos profissionais da Geração Z não aceitariam cargos de gestão sem um aumento significativo de salário ou de estatuto. Sem esses incentivos, as funções de liderança deixam de ser tão atractivas como já foram. Em vez de procurarem prestígio, os jovens estão mais focados em construir carreiras sustentáveis.

Especialistas chamam a este movimento “minimalismo de carreira” (career minimalism). A ideia é evitar stress desnecessário em ambientes que, muitas vezes, não recompensam a lealdade. Ao presenciarem as gerações anteriores a enfrentar burnout, despedimentos em massa e falta de confiança nas lideranças corporativas, os mais jovens preferem diversificar as suas opções em vez de apostar tudo na ascensão tradicional.

A percentagem é maior do que em qualquer outra geração, evidenciando uma mudança na forma como os jovens encaram a ambição profissional

“Trocámos a escada corporativa rígida por uma carreira em que podemos saltar para a oportunidade que fizer mais sentido naquele momento”, afirma Morgan Sanner, especialista em carreira da Glassdoor. Para esta geração, sucesso é sinónimo de equilíbrio, segurança e autonomia, e não de subir cada vez mais alto dentro de uma única empresa.

Como o rendimento extra tornou-se o novo objectivo?

A carreira tradicional tinha um roteiro claro: subir a escada corporativa, conquistar uma posição de liderança, gerir equipas e acumular símbolos de estatuto. O sucesso era linear, previsível e medido pela altura alcançada dentro de uma organização.

Hoje, assume outra forma. Dados da Harris Poll revelam que 57% dos profissionais da Geração Z têm trabalhos paralelos, contra 48% dos millennials (nascidas entre o início da década de 1980 e meados da década de 1990), 31% da Geração X (pessoas nascidas aproximadamente entre meados da década de 1960 e o início da década de 1980) e 21% dos baby boomers (indivíduos nascidos geralmente entre 1946 e 1964). Para os mais jovens, isto não significa apenas um complemento de rendimento. São estratégias que oferecem o que o emprego tradicional muitas vezes não garante: criatividade, autonomia e autenticidade.

Muitos descrevem esta lógica como “o das 9 às 5 financia o das 5 às 9” – o emprego fixo financia os projectos empreendedores. Trata-se de uma mudança de valores em relação às gerações anteriores, que buscavam segurança na lealdade corporativa. Já a Geração Z encontra isso na construção de portfólios e na diversificação de rendimentos.

Fonte: Forbes Brasil

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