O Executivo prevê um recorde de Investimento Directo Estrangeiro (IDE), com os valores a situarem-se nos 5,8 mil milhões de dólares, um aumento de 22,6%, impulsionado pelos projectos de gás natural liquefeito (GNL). A decisão consta na proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE 2026), que começa a ser analisada no Parlamento nos próximos dias. “Este crescimento será influenciado pela implementação de projectos estruturantes na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, região norte de Moçambique”, refere o documento citado pela Lusa, recordando que o IDE duplicou no primeiro trimestre deste ano, para quase 1,63 mil milhões de dólares. De um modo geral, para este ano, o Governo estima que o IDE possa crescer mais de 40%, para 5,1 mil milhões de dólares (325,9 mil milhões de meticais), conforme consta na proposta orçamental inserida no Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2025. Já em 2024, Moçambique registou um crescimento de 41,5% no IDE face a 2023, alcançando 3,6 mil milhões de dólares (230 mil milhões de meticais). Apesar desse avanço, ficou aquém do pico histórico de 5,1 mil milhões de dólares (326,5 mil milhões de meticais) observados em 2021. Moçambique tem três projectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, todas localizadas ao largo da costa da província de Cabo Delgado. Recentemente, o Governo e a petrolífera italiana Eni formalizaram a decisão final de investimento do Coral Norte, para o projecto localizado na Área 4 da bacia do Rovuma. Avaliado em 7,2 mil milhões de dólares (456 mil milhões de meticais), o empreendimento deverá gerar receitas fiscais e contribuições que ultrapassam 23 mil milhões de dólares (1,4 bilião de meticais) ao longo dos seus 30 anos de vida útil. A consultora Deloitte estima que as reservas de gás natural localizadas em Moçambique representem receitas potenciais de 100 mil milhões de dólares, destacando a importância internacional do País no processo da transição energética. “As vastas reservas de gás poderão fazer de Moçambique um dos dez maiores produtores mundiais, responsável por 20% da produção de África até 2040”, referiu a consultora através de um relatório sobre as Perspectivas Energéticas de África.
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