O Governo estima que a produção nacional de grafite, destinada ao fabrico de baterias para viaturas eléctricas, possa alcançar 14 814 toneladas em 2026, o que representa um crescimento de 10% face à previsão de produção para o presente ano, fixada em 13 468 toneladas. De acordo com a Lusa, a previsão consta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026, recentemente divulgado pelas autoridades nacionais, e reflecte o início e consolidação das actividades de uma nova empresa mineira licenciada na província do Niassa, no norte de Moçambique. Apesar da recuperação prevista, o volume estimado permanece ainda significativamente abaixo do pico registado em 2022, quando a produção de grafite nacional atingiu 165 900 toneladas. Desde então, o sector registou uma trajectória descendente: em 2023, a produção caiu para 97 300 toneladas, e no ano seguinte sofreu nova quebra de 64%, atingindo apenas 34 900 toneladas, devido à paralisação de várias empresas produtoras. O relançamento do sector passa, agora, pela entrada em operação de novas unidades de exploração e processamento, com destaque para a província do Niassa, onde se localiza a mais recente aposta mineira. Em Maio último, as autoridades do distrito de Nipepe assinalaram o arranque da primeira unidade de processamento de grafite naquela região, sob gestão da empresa chinesa DH Mining Development Limited. “Foi um longo tempo de espera, mas o dia chegou. Este passo dá maior esperança aos moçambicanos de que aquelas mil vagas prometidas pela empresa poderão ser concretizadas”, afirmou na altura o administrador distrital de Nipepe, Sérgio Igua. A instalação iniciou a sua actividade com uma capacidade anual de produção de 100 mil toneladas, prevendo-se que esse volume venha a duplicar com a entrada em funcionamento da segunda linha de processamento. Segundo informações avançadas pela DH Mining, os investimentos totais nas operações de produção ascendem a mais de 1,7 mil milhões de meticais (27,3 milhões de dólares). A grafite é actualmente considerada um dos minerais estratégicos no processo de transição energética global, sendo utilizada, entre outros, na produção de ânodos para baterias de iões de lítio, fundamentais para veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia. Moçambique, que dispõe de importantes reservas deste recurso, procura posicionar-se como fornecedor relevante para as cadeias de abastecimento industriais ligadas às energias limpas.
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