“Este ano, o impacto bateu recordes. Temos embarcações que, desde dezembro, não vão ao mar. As embarcações maiores foram ontem (domingo) e hoje já estão paradas”, disse o presidente da Apropesca, Carlos Cruz, em declarações à Lusa. Segundo a entidade, muitas famílias “já estão passando mal”, já que os armadores precisam pagar seus trabalhadores, independentemente, de pescar ou não. “Eles têm que pagar o salário, a alimentação e a estadia. Depois têm as despesas nos estaleiros, com seguro e com a manutenção. Um barco parado sempre fica com alguma coisa estragada”, disse. A Apropesca conta com cerca de 120 associados ao longo de toda a costa, que, mensalmente, faturam mais de dois milhões de euros. Cerca de 1% desse valor corresponde às cotas que são pagas à Apropesca, que garantiu estar, atualmente, trabalhando “sem receber um centavo”. Carlos Cruz também avisou que as melhores temporadas de pesca estão passando, sem que os pescadores possam capturar, como a do robalo, que termina em 15 de março. Com isso, o comércio das regiões mais afetadas “está todo parado” e falta “o chamado peixe selvagem” no mercado, sobretudo, para restaurantes. Com menos peixes, o preço tem “carregado” nos leilões, disse o presidente da Apropesca. Carlos Cruz disse ainda que, até o momento, só a Câmara de Vila do Conde avançou com uma ajuda de 250 euros a todos os trabalhadores residentes. Já sobre o fundo de compensação salarial, medida que o Governo tem apontado como disponível para esse setor, o presidente da Apropesca disse que só vai chegar em dezembro e que os pescadores precisam de uma ajuda direta. Além dos prejuízos materiais e econômicos causados ​​pelo mau tempo, Carlos Cruz ressaltou que as praias estão “inundadas por pinheiros, paus e galhos”, que desaguaram no mar e acabaram arrastados, acrescentando que há muito trabalho a ser feito. “Nunca vi um ano como esse”, lamentou. Dezesseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que também causaram muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o fechamento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e enchentes são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas. A situação de calamidade que abrangia os 68 municípios mais afetados terminou em 15 de fevereiro. Leia Também: Cota de pesca do atum-rabilho aumenta 21% em 2026

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