a d v e r t i s e m e n tOs países em desenvolvimento estão agora a reembolsar mais à China do que recebem em novos financiamentos, o que demonstra uma pressão crescente sobre economias que já lutam contra o endividamento e o subinvestimento em acções climáticas, de acordo com um novo relatório do Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston.
O relatório, intitulado Reviving Chinese Development Finance in the Global South (Revitalizando o financiamento chinês ao desenvolvimento no Sul Global), constatou que as transferências líquidas de dívida da China para os países em desenvolvimento tornaram-se negativas em 2022 e 2023, uma vez que os países pagaram colectivamente mais 3,9 mil milhões de dólares por ano do que os que pediram emprestado.
A China, o maior credor bilateral do mundo, tem sido há muito tempo um importante financiador de infra-estruturas no Sul Global, canalizando mais de 472 mil milhões de dólares através dos seus dois bancos políticos, o Banco de Desenvolvimento da China e o Banco de Exportação e Importação da China, entre 2008-24.
Esses fundos apoiaram mais de 900 projectos no valor de 316 mil milhões de dólares em transportes, energia, sistemas hídricos e infra-estrutura digital, contribuindo significativamente para os activos públicos, crescimento económico e redução da pobreza, observa o estudo.
Os autores, Rebecca Ray, Kevin Gallagher, Zheng Zhai, Marina Zucker-Marques e Yan Liang, alertaram que, sem uma recuperação dos empréstimos chineses no exterior, o crescimento e os investimentos climáticos nos países em desenvolvimento poderiam estagnar.
O artigo delineou cinco medidas para revigorar o financiamento ao desenvolvimento de forma a beneficiar tanto a China como os seus países parceiros: refinanciamento de empréstimos em dificuldades, emissão de obrigações denominadas em renminbi (moeda oficial da China), expansão do crédito verde, incentivo ao investimento estrangeiro cooperativo e aprofundamento do comércio Sul-Sul.
Alguns sinais dessa recuperação já estão a surgir. Em Junho, a China anunciou planos para oferecer tratamento de tarifa zero a todos os 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas.
A iniciativa de tarifa zero proposta por Pequim é vista como uma jogada estratégica para impulsionar as importações de África, ao mesmo tempo que oferece uma tábua de salvação para as empresas estatais chinesas que lutam contra a queda da procura interna.
África aprofunda laços com o yuan
No início deste ano, o Afreximbank lançou o seu primeiro título panda denominado em moeda chinesa – título de dívida emitido em renminbi no mercado chinês por emissores estrangeiros – enquanto na África do Sul, o Fundo de Desenvolvimento China-África se prepara para licitar projectos de transição para energias renováveis.
No Quénia, o ministro das Finanças, John Mbadi, anunciou esta semana que três grandes empréstimos ferroviários chineses foram convertidos de dólares americanos para yuan para reduzir os custos com juros, uma medida que sinaliza um alinhamento financeiro mais profundo entre a China e os seus parceiros africanos.
A conversão, que abrange 5 mil milhões de dólares em empréstimos ferroviários do Banco de Exportação e Importação da China, deve economizar ao Quénia cerca de 250 milhões de dólares anualmente e aliviar a pressão sobre as finanças do país, altamente endividadas.
Fonte: Reuters
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