A consultora britânica Oxford Economics considerou que a emissão de dívida de Angola no valor de 1,75 mil milhões de dólares traz um “alívio de liquidez”, mas alertou para o elevado rácio da dívida e necessidades de financiamento.
“Embora a nova emissão proporcione a Angola um alívio de liquidez no contexto do seu pesado fardo de amortizações externas, continuamos preocupados com as elevadas necessidades anuais de financiamento bruto deste produtor de petróleo e com o elevado rácio da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB)”, escrevem os analistas citados pela Lusa.
Angola fez na segunda-feira, 6 de Outubro, pela primeira vez desde 2022, uma emissão de títulos de dívida em moeda estrangeira (Eurobonds) no valor total de 1,75 mil milhões de dólares, numa operação estruturada em duas ‘tranches’, uma de mil milhões de dólares com maturidade de cinco anos (2030) e outra de 750 milhões de dólares com maturidade de dez anos (2035), com taxas de juro semestrais de 9,25% e 9,78%, respectivamente.a d v e r t i s e m e n t
Contudo, o departamento africano da consultora britânica afirma que mantém “uma perspectiva cautelosa sobre a situação orçamental, considerando os níveis dos preços do petróleo Brent, que estimam ser de cerca de 80 dólares por barril a médio prazo.”
“O dinheiro extra poderia ajudar a amenizar o impacto de novos cortes nos subsídios, financiando políticas que compensem o impacto negativo a curto prazo”, acrescentam os analistas, apontando que o país recebeu, com a emissão, “um alívio muito necessário, aproveitando uma janela de preços favorável para emitir os tão esperados novos instrumentos de dívida.”
De acordo com a entidade, o financiamento de 1,75 mil milhões de dólares pode ajudar a amortecer o impacto das medidas de austeridade impopulares, permitindo ao Governo avançar com reformas fiscais cruciais para garantir a aposta na diversificação económica e infra-estruturas reprodutoras do investimento.
Na opinião da Oxford Economics, “o clima macroeconómico de Angola tem mostrado sinais promissores de melhoria após um início de ano desafiante, com as reformas, o aumento dos preços do petróleo e da produção a garantirem uma certa estabilidade na economia, que originou uma descida dos juros exigidos pelos investidores para cerca de 10%, o limite a partir do qual o país considerava impossível aceder aos mercados.”
Recentemente, o Executivo angolano anunciou que pretende complementar o financiamento externo com a emissão de Obrigações do Tesouro em Moeda Estrangeira (OT-ME), no valor de até 300 milhões de dólares, destinadas a financiar o Orçamento Geral do Estado de 2025.
“Esta iniciativa integra-se na estratégia de captação de recursos para colmatar as necessidades de financiamento do Orçamento Geral do Estado de 2025, permitindo a prossecução dos objectivos económicos e sociais indispensáveis previstos no OGE”, referiu.
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