
O estudo, divulgado recentemente pela revista científica Icarus, é coassinado pelo astrofísico português Pedro Machado, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço. Em declarações hoje à Lusa, o investigador disse que o trabalho apresenta “um caminho novo para entender a evolução da Terra” e como podem ter chegado ao planeta “os componentes necessários” para garantir a sua habitabilidade. O corpo rochoso em causa chama-se Theia. Já se sabia que Theia terá embatido na Terra quando o planeta ainda estava a formar-se e que fragmentos resultantes desse impacto deram origem à Lua. O que é novo – e é o que defendem Pedro Machado e restante equipa – é que este grande corpo rochoso se terá formado na envolvência de Júpiter, maior planeta do Sistema Solar, e que provavelmente tinha uma “grande quantidade de água” e de elementos químicos essenciais, como carbono, à semelhança de luas de Júpiter como Europa. “A probabilidade é altíssima”, sustentou o também docente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que, juntamente com os coautores Duarte Branco, seu aluno, e Sean N. Raymond, astrónomo norte-americano do Laboratório de Astrofísica de Bordéus, em França, suporta a tese com base em estudos de modelação da formação e evolução do Sistema Solar. Segundo Pedro Machado, especialista no estudo de atmosferas planetárias, a Terra tem um grande reservatório de água no manto – camada intermédia do interior – que não pode ser explicável pela teoria de que cometas ou pequenos asteroides “transportaram” água para o planeta. Leia Também: O mês de julho chega ao fim com duas chuvas de meteoros (em simultâneo)
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