a d v e r t i s e m e n tO secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou esta quinta-feira (21) que África dispõe de todos os recursos necessários para se tornar uma “superpotência das energias renováveis”, apelando à mobilização internacional de financiamento e tecnologia para reforçar o investimento em energia verde no continente.
Falando durante a Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano (TICAD), Guterres destacou o potencial africano em fontes como a energia solar e eólica, bem como na produção de minerais críticos essenciais às novas tecnologias, defendendo que a riqueza natural de África deve beneficiar os próprios africanos.
“Devemos mobilizar financiamento e tecnologia para que a riqueza natural de África beneficie o povo africano. É necessário construir uma base industrial e de energias renováveis próspera em todo o continente”, afirmou o secretário-geral, na cidade portuária japonesa de Yokohama.
Guterres sublinhou que a energia limpa em África tem a capacidade de reduzir custos, diversificar cadeias de abastecimento e acelerar a descarbonização a nível global.
A conferência, que decorre ao longo de três dias, conta com a presença de vários líderes africanos, incluindo os presidentes da Nigéria, Bola Tinubu, da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e do Quénia, William Ruto. O evento marca uma tentativa do Japão de se posicionar como alternativa estratégica à China, numa altura em que muitos países africanos enfrentam uma crise da dívida agravada por cortes na ajuda internacional, conflitos e alterações climáticas.
De acordo com o Instituto Lowy, um centro de estudos australiano, os países em desenvolvimento enfrentam actualmente uma “onda avassaladora” de endividamento, tanto com a China como com credores privados internacionais. Apesar dos investimentos massivos de Pequim na última década, os empréstimos têm vindo a diminuir, enquanto o serviço da dívida cresce de forma preocupante.
Durante a sessão de abertura, o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, anunciou planos para formar 30 mil africanos em inteligência artificial ao longo de três anos e estudar a criação de uma Parceria Económica Japão-África. Ishiba apresentou ainda uma visão para uma rede de distribuição regional entre países africanos e do oceano Índico.
António Guterres advertiu que “a dívida não pode afogar o desenvolvimento” e apelou ao reforço do financiamento concessionado e ao aumento da capacidade de empréstimo dos bancos multilaterais de desenvolvimento. “África tem tudo o que é necessário para se tornar uma superpotência renovável”, declarou, reiterando a urgência de mais investimentos em soluções climáticas.
Por sua vez, o presidente queniano anunciou, através da rede social X, que o seu país está em conversações com a construtora japonesa Toyota para o fornecimento de 5000 veículos eléctricos, no âmbito do compromisso do Quénia com a energia limpa.
Tanto Ramaphosa como Tinubu, também nas suas intervenções na plataforma digital, manifestaram o desejo de ver uma transição do paradigma da ajuda externa para modelos de parceria baseados em investimento.
Fonte: Agence France-Presse (AFP)
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