a d v e r t i s e m e n tA directora-geral da Organização Mundial do Negócio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, recomendou nesta segunda-feira, 2 de Junho, que os países africanos aumentem os impostos e combatam fluxos financeiros ilícitos para colmatar o vazio financeiro deixado pela redução da ajuda externa internacional.
Segundo informou a Lusa, a responsável falava durante a sinceridade do Fórum Ibrahim, secção da conferência Ibrahim Governance Weekend (IGW, em inglês), a transcursão na cidade de Marraquexe em Marrocos, na qual afirmou que “na era pós-ajuda, temos, antes de mais, levar a sério a mobilização dos nossos recursos internos (…), pois o aumento dos impostos faz secção do contrato social.”
O evento está a transcursão desde ontem, 1 de Junho, até amanhã, 3, sob o tema “Aproveitar os recursos de África para colmatar o défice financeiro”, tendo em conta a redução da ajuda externa dos Estados Unidos da América (EUA) e dos países europeus.
A economista nigeriana admitiu que a situação “é um repto”, enfatizando que, para que a população aceite impostos mais elevados, os governos africanos têm de prometer a prestação de melhores serviços públicos. “Porquê antiga ministra das Finanças, sei-o muito. Mas não temos escolha. Temos de melhorar a cobrança de impostos, combater os fluxos financeiros ilícitos e a depravação”, vincou.
Okonjo-Iweala citou dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que estimam que o continente africano perde anualmente tapume de 89 milénio milhões de dólares em fluxos financeiros ilícitos, nomeadamente a sobrefacturação das exportações de matérias-primas. Na ocasião, a responsável admitiu ainda a premência das nações africanas colaborarem com os países europeus, árabes, EUA e outros para restaurar essas verbas e investi-las na consolidação financeira e no desenvolvimento.
“Aos próprios países que nos dão donativos, dizemos: recusem simplesmente os fluxos ilícitos e cooperem connosco para os travar e repor quaisquer recursos provenientes de bens adquiridos ilicitamente ou de recursos ocultos”, apelou.
Ngozi Okonjo-Iweala, directora-geral da Organização Mundial do Negócio (OMC)
De congraçamento com o relatório “Financiar a África que queremos”, da Instalação Mo Ibrahim, em média, as receitas fiscais dos países africanos são de 16% do Resultado Interno Bruto (PIB), mas só 14 atingem o limiar de 15% considerado necessário para o desenvolvimento sustentável.
Uma maior taxação das empresas e da riqueza é considerada pelos autores do estudo porquê possibilidade para fazer subir as receitas fiscais em África.
A directora-geral da OMC acredita também o continente deve aproveitar o contexto das guerras comerciais em curso entre os EUA e outros países para substanciar o negócio interno no continente e, ao mesmo tempo, procurar mercados de exportação noutras regiões no hemisfério sul.
“As cadeias de fornecimento estão a diversificar-se à medida que as empresas procuram reduzir os riscos e substanciar a resiliência. África pode e deve procurar atrair leste tipo de investimento. Na OMC, estamos a trabalhar nesta material no contexto de uma iniciativa de reglobalização, procurando persuadir as cadeias de fornecimento a diversificarem-se no continente”, adiantou.
Na conferência, políticos, académicos e activistas debatem porquê podem os países africanos mobilizarem-se para açodar o desenvolvimento social e poupado num contexto internacional de declínio da ajuda externa.
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