Uma em cada quatro vítimas de tráfico humano é criança, fez saber, nesta quinta-feira, 12 de Fevereiro, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), pedindo aos Governos de todo o mundo que dêem prioridade ao combate a este crime.

Segundo a Lusa, o apelo, feito na 6.ª Conferência Global sobre a Eliminação do Trabalho Infantil, que decorre até sexta-feira (12) em Marraquexe, Marrocos, afirmou que são necessários dados mais fiáveis, uma vez que os números actualmente disponíveis estão, segundo a OIM, muito abaixo dos números reais. Mesmo assim, a organização afirmou que os dados oficiais mais recentes apontam para a existência de mais de 125 mil vítimas de tráfico humano em todo o mundo.

Mesmo com a subnotificação generalizada e as lacunas na detecção, a organização refere que, entre as pessoas identificadas, constam cerca de 30 mil crianças, todas sujeitas a exploração e trabalho infantil.

Os Estados devem, por isso, colocar a migração e o tráfico de pessoas no centro dos seus esforços, reforçando não só os dados, mas a investigação e cooperação transfronteiriça para proteger as crianças em movimento, defendeu a OIM.

“Milhões de crianças em movimento enfrentam riscos acrescidos de exploração e tráfico, mas permanecem, muitas vezes, invisíveis nas políticas globais e nos sistemas de protecção”, afirmou a directora-geral da OIM, Amy Pope, numa mensagem em vídeo divulgada na conferência.

“Precisamos de agir agora – além-fronteiras e em todos os sectores – para colmatar estas alarmantes lacunas de protecção e garantir que todas as crianças, em todo o lado, estão seguras”, acrescentou.

A conferência, organizada pelo Governo de Marrocos e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), teve início na quarta-feira (11) e, até sexta-feira, reúne Governos, agências da ONU, empresas e sociedade civil para “acelerar acções no sentido da eliminação do trabalho infantil”.

Para a OIM, é essencial criar parcerias para colmatar as lacunas das respostas à migração, ao trabalho infantil e ao tráfico de pessoas, e para apoiar os países no desenvolvimento de abordagens integradas, destacando o sucesso da colaboração com os Governos do Leste, assim como com os do Corno de África e do Norte de África.

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