
O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) considera que o risco para a poupança não são as variações positivas ou negativas de um fundo num ano, mas o de ter uma reforma abaixo do esperado, defendendo um regresso ao “espírito fundador dos planos de poupança e reforma” (PPR). “O verdadeiro risco não é ver o valor de um fundo oscilar 5% num mês ou ter rendibilidade negativa num ano; o verdadeiro risco é chegar à idade de reforma e a poupança ter rendibilidade real negativa porque a estratégia de investimento, para mitigar o risco de perda, foi tão conservadora que não gerou sequer rendimento para superar a inflação”, afirmou Gabriel Bernardino na conferência da ASF, esta segunda-feira, em Lisboa. Para o presidente do supervisor “é imprescindível melhorar a literacia do risco, estabelecendo indicadores de risco adequados aos produtos de longo prazo. O foco deve ser a probabilidade de atingir o rendimento desejado na reforma e não a volatilidade de curto prazo dos ativos.” Num momento em que a União Europeia avança com um plano para um modelo europeu de pensões, Gabriel Bernardino defende que “é essencial criar benefícios fiscais atrativos para as contribuições de empresas e trabalhadores.” Para o presidente da ASF deve ser “recuperado o espírito fundador dos PPR, em que os benefícios fiscais foram vistos como um acelerador social, mas também como um motor de crescimento económico.” Em matéria de incentivos para a poupança complementar, Gabriel Bernardino defende o estabelecimento de “incentivos claros à entrada, através da dedução autónoma das contribuições, e à permanência, com prémios fiscais à saída durante a fase de reforma, mas também conceder maior estímulo aos rendimentos mais baixos, aqueles que mais precisam de complementar a pensão futura.” Em entrevista ao Negócios e Antena 1, Bernardino já tinha defendido benefícios segmentados para os PPR ou até uma nova marca para incentivar a poupança para a reforma.
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