O Corredor do Lobito em Angola apresenta uma oportunidade única e transformadora para posicionar a nação como um centro logístico-chave na África Austral. Este corredor, originalmente estabelecido como o caminho-de-ferro de Benguela, liga as regiões ricas em minerais da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia directamente ao porto atlântico do Lobito.

Historicamente uma rota comercial fundamental, sofreu interrupção significativas durante os distúrbios ocorridos entre 1975 e 2002, mas foi recentemente objecto de uma forte revitalização. O orçamento total atribuído à revitalização do corredor é de aproximadamente 6 mil milhões de dólares, apoiado por uma coligação de parceiros internacionais.

Estrategicamente, o Corredor do Lobito em Angola oferece grandes oportunidades de negócio, especialmente no domínio da logística e da exportação de minerais. A região que serve – Copperbelt na República Democrática do Congo (RDC) e na Zâmbia – é reconhecida pela sua liderança global na produção de cobre e cobalto, minerais críticos essenciais para as baterias de veículos eléctricos e infra-estruturas tecnológicas em todo o mundo.a d v e r t i s e m e n t

Do ponto de vista de Angola, o Corredor do Lobito alinha-se significativamente com a estratégia mais ampla de diversificação económica do país, delineada na “Visão Angola 2025”. Com uma dependência histórica das receitas do petróleo, a mudança de Angola no sentido de melhorar as infra-estruturas logísticas marca um passo decisivo para reduzir a vulnerabilidade às flutuações do mercado petrolífero global. Esta mudança também apresenta oportunidades para as empresas internacionais de transporte marítimo e de logística, como a MSC Mediterranean Shipping Company, expandirem a sua presença e contribuírem para o desenvolvimento do corredor.

“Na MSC, reconhecemos o potencial transformador do Corredor do Lobito no fortalecimento do sector logístico de Angola. Como um parceiro logístico empenhado, facilitamos a exportação eficiente de minerais-chave e a importação de bens essenciais, incluindo equipamento industrial e géneros alimentícios. Desde 2007, ligámos Angola aos mercados globais através dos portos de Luanda, Lobito e Namíbia”, afirmou Alexandre Silveira, director geral da MSC Angola.

Embora os números exactos variem, o Porto de Luanda continua a ser o principal centro de Angola para contentores e carga geral, movimentando uma parte significativa do tráfego marítimo do país. Entretanto, o Porto do Lobito está a ganhar rapidamente relevância estratégica, particularmente na exportação de mercadorias como o granito, o gesso cartonado e o cobre – sendo que o cobre é maioritariamente originário da República Democrática do Congo. Com o desenvolvimento do Corredor do Lobito, o Lobito está a posicionar-se cada vez mais como uma porta de entrada fulcral para o comércio regional, especialmente para os países sem litoral da África Central que procuram um acesso eficiente aos mercados globais.

O corredor também oferece uma alternativa atlântica crucial para o encaminhamento das exportações de cobre e cobalto – permitindo um acesso mais rápido aos principais mercados da União Europeia (UE), América Latina e Estados Unidos. Para além do transporte marítimo, a MSC oferece serviços de valor acrescentado, incluindo a consolidação de carga, carregamento e recarregamento, embalagem e desembalagem, bem como o carregamento cruzado entre contentores e camiões.

As parcerias entre líderes globais de logística como a MSC e organizações angolanas locais são importantes para alcançar estes objectivos ambiciosos. Desde que assumiu as responsabilidades operacionais no Lobito, em Março de 2024, a MSC tem liderado actualizações de infra-estruturas críticas e introduziu horários de transporte mais fiáveis. Estas iniciativas, juntamente com programas de formação específicos e parcerias de desenvolvimento de capacidades com as partes interessadas locais, já estão a transformar o panorama logístico da região.

Corredor do Lobito em Angola oferece grandes oportunidades de negócio, especialmente no domínio da logística e da exportação de minerais

De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) de Angola cresceu 3,8% em 2024, ultrapassando as projecções anteriores, e a recuperação alargou-se ao sector não petrolífero. De acordo com o Banco Mundial, a produção económica esperada do Corredor do Lobito deverá impulsionar o PIB de Angola em pelo menos 2% ao ano durante a próxima década e facilitar um aumento dos volumes de comércio regional até 40%, posicionando Angola como uma artéria económica fundamental para os países sem litoral da África Central.

Apesar das recentes mudanças na política externa americana e de uma redução mais ampla do investimento africano sob a actual administração, os Estados Unidos da América (EUA) reiteraram o seu compromisso com o Corredor do Lobito. Como afirmou James Story, embaixador interino dos EUA em Angola, os Estados Unidos continuam ansiosos por colaborar neste projecto devido à sua importância estratégica para as cadeias de abastecimento globais, particularmente para garantir o acesso a minerais críticos como o cobre e o cobalto.

O Governo angolano está a trabalhar no sentido da sua visão para 2050. Está a aproveitar activamente o projecto do Lobito para estimular o crescimento económico e promover a integração regional, em particular com países vizinhos como a Zâmbia e a RDC. Ao promover um ambiente atractivo para o investimento, o corredor torna-se cada vez mais competitivo, incentivando as empresas locais e a colaboração internacional. Estas iniciativas não só beneficiam Angola, como também impulsionam significativamente o comércio intra-africano, realçando o papel do corredor como catalisador de um comércio continental mais alargado.

O Executivo está a envidar esforços significativos e proactivos para garantir a realização de todo o potencial do Corredor do Lobito. Reconhecendo a importância estratégica do corredor, tem trabalhado diligentemente para atrair e facilitar o investimento adicional substancial necessário em infra-estruturas logísticas. Através de esforços de colaboração com todas as partes interessadas, o Governo está a lançar as bases para expandir a rede ferroviária existente com novas linhas de ligação vitais. Simultaneamente, está a ser dada uma grande atenção a melhorias urgentes nas principais redes rodoviárias, tais como a Estrada Nacional N100, que é essencial para acomodar eficazmente o aumento dos volumes de transporte. Estes investimentos estratégicos são complementados pelo compromisso do Governo em melhorar a capacidade e a infra-estrutura do Porto do Lobito, assegurando que está bem equipado para gerir o futuro crescimento da carga e solidificar o seu papel como porta de entrada económica regional.

O Porto de Luanda continua a ser o principal centro de Angola para contentores e carga geral

“O impacto económico do Corredor do Lobito é profundo, prevendo uma criação substancial de postos de trabalho em funções logísticas directas e em sectores indirectos como a exploração mineira, a agricultura e as energias renováveis. Poderá criar 30 mil empregos directos e indirectos e ajudar a reduzir a pobreza na RDC”, afirmou recentemente em Angola o Presidente da RDC, Felix Tshisekedi.

Os investimentos em infra-estruturas ferroviárias e rodoviárias simplificarão ainda mais as operações, reduzindo significativamente os estrangulamentos logísticos e melhorando a conectividade regional. Estes desenvolvimentos não só impulsionarão a economia nacional de Angola, como também elevarão significativamente a sua posição no comércio regional e mundial.

Este projecto de infra-estruturas transformadoras está estreitamente alinhado com os objectivos da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), que procura reduzir as barreiras comerciais, aumentar o comércio intra-africano, uma vez que se estima que as exportações intra-africanas aumentariam 109%, criando um mercado único de mais de 1,4 mil milhão de pessoas. Ao melhorar a conectividade regional e facilitar o acesso às rotas de exportação para países sem litoral, como a Zâmbia e a RDC, o Corredor do Lobito apoia a visão da ZCLCA, de uma África mais integrada e próspera. Estas previsões sublinham a importância estratégica do corredor, não só para os esforços de diversificação de Angola, mas também para a facilitação do comércio regional, tal como previsto pela ZCLCA.

O Corredor do Lobito constitui um farol de oportunidades para Angola. Tirando partido da sua localização estratégica, investindo em infra-estruturas robustas e promovendo fortes parcerias público-privadas, Angola pode avançar decisivamente para uma diversificação económica sustentável e para a liderança regional, estabelecendo-se firmemente como um centro indispensável no panorama económico da África Austral.

Fonte: Alexandre Silveira

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