a d v e r t i s e m e n tA meta do Banco de Reserva da África do Sul (SARB) de ancorar a inflação em 3% enfrenta esta semana um teste crucial. Dois indicadores serão conhecidos: as expectativas de inflação e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Agosto. A decisão sobre a taxa de juro será anunciada um dia depois.

Apesar de uma queda gradual das expectativas de inflação, prevê-se que o IPC suba ligeiramente, de 3,5% em Julho para 3,6% em Agosto. A maioria dos analistas consultados pela Bloomberg espera que o SARB mantenha as taxas de juro em 7%. A política monetária está no centro do debate.

“Isto pode ser visto como um teste para a política”, disse Frank Blackmore, economista-chefe da KPMG na África do Sul. Para ele, manter as taxas estáveis ajudará a controlar pressões sobre os preços e a orientar as expectativas em torno da nova meta.a d v e r t i s e m e n t

O governador Lesetja Kganyago anunciou em Julho a preferência do banco central por fixar a inflação no piso da faixa-alvo, entre 3% e 6%. O valor de referência ficou assim abaixo dos 4,5% anteriores, reforçando a prioridade em reduzir a inflação de forma estrutural.

A decisão gerou críticas do ministro das Finanças, Enoch Godongwana. No entanto, a 1 de Setembro, o SARB e o Tesouro Nacional emitiram um comunicado conjunto reconhecendo a medida. Segundo o documento, o governante fará um anúncio formal assim que for considerado viável.

Para Kevin Lings, economista-chefe da Stanlib Asset Management, uma gestora de activos sul-africana, o sucesso da meta depende do alinhamento das políticas fiscais. “Se houver um esforço mais concentrado do Tesouro para endossar totalmente isso, então temos mais hipóteses de atingir 3%. Mas estou céptico de que seja alcançado no primeiro trimestre de 2027”, afirmou.

Impacto económico e político da medida

O SARB justificou a decisão afirmando que o IPC já esteve perto ou abaixo de 3% durante meses. Para a instituição, este era o momento ideal para ancorar uma inflação mais baixa, podendo gerar poupanças de mil milhões de dólares aos contribuintes com a redução dos custos de financiamento de longo prazo.

A decisão teve reflexo imediato nos mercados. Os rendimentos dos títulos do Governo a 10 anos caíram de 9,81% para 9,37% na véspera do anúncio, no final de Julho. A queda acompanhou também um movimento global de descida dos rendimentos da dívida pública.

Mesmo assim, críticos, incluindo membros do Congresso Nacional Africano (CNA), alertam que o foco excessivo em baixa inflação pode custar empregos. Argumentaram que a manutenção de taxas elevadas durante mais tempo pode travar o crescimento económico e agravar o desemprego.

Ainda assim, alguns analistas esperam cortes graduais. Andrew Matheny, do Goldman Sachs, prevê dois cortes de 25 pontos-base nas taxas ainda este ano. “Vemos um motivo de credibilidade para o SARB continuar a flexibilizar a política monetária”, disse.

Segundo as suas previsões, o SARB estima que a inflação atinja o pico de 3,6% em meados de 2026, estabilizando em 3% até ao final de 2027. Contudo, o processo será gradual, devido aos preços administrados de electricidade e água, que mantêm a inflação resistente.

“Era importante que o SARB anunciasse a meta o mais cedo possível”, disse Razia Khan, economista-chefe do Standard Chartered. “No curto prazo, os preços são influenciados por efeitos de base, mas a política monetária terá impacto na formação das expectativas ao longo do tempo”, concluiu.

Fonte: Bloomberga d v e r t i s e m e n t

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts